22.2.14

cúspide Pisciana e crepúsculo mergulhador

[Devaneios vindos após ouvir Leminski com os olhos]



A solidão e o silêncio 
são inexistentes 
nessa dimensão física 
que nos comporta 
numa aparência 
passageira e massissa.

Submissa?
Missa sub terrânea. 
Migro para os confins,
Miro um horizonte, enfim.

E ainda assim,
Não tô sozim.

- Ser quem é que sempre será e nunca não foi.
- Sei lá, aqui dentro é meio confuso.

Contemplar a vastidão de si, 
 contextualizar-se,
  condescender-se.

- Que tal distraír-se um pouco? 
- Procrastinar esses assuntos piegas?
- hm...
- ahm...
- Impossível. Eles permeiam, penetram, persistem, perduram, pelo o amor de... Si.
- oh...


[Passarinhos cantando ao fundo, diferentes sons em harmoniosa polifonia. Intervenção, provavelmente humana, sons de movimento de coisas. Voz de criança, distante, incompreensível.]

17.2.14

Lua Cheia em Leão

 Fonte

14 de fevereiro de 2014


Bom dia, meus amigos...


A Lua Cheia no eixo Leão - Aquário nesse ano coincide com a celebração de São Valentim, a festa do amor e dos amorosos. O céu noturno iluminado pela Lua Cheia poderia nos parecer extremamente romântico se as energias do momento não estivessem tão intensas. É certo que se trata também de amor, mas esse instante pode igualmente revelar algumas de nossas problemáticas não resolvidas que provém da energia de Leão, tais como nossa necessidade tão humana de sermos amados, reconhecidos e encorajados; ou nossa falta de auto-estima... E nós podemos passar essa noite de São Valentim tristonhos a aguardar o amor que por fim não vem tão forte e grande quanto esperávamos, ou que nem mesmo vem. E por uma boa razão! Ele está em nós, não lá fora! Mas que o sentimento radiante de amor nos habite plenamente nesse período em que ainda estamos a esperá-lo dos outros, pois tudo isso faz parte de nosso desenvolvimento e está perfeito.

Portanto, ignorar o romantismo de São Valentim? Não é pra tanto, pois o amor é uma energia realmente em abundância, que podemos esperar reencontrar, sentir constantemente e novamente conforme nos concentrarmos em nosso coração. É sobretudo disto que quero falar essa noite: do amor e da criatividade, dois atributos de Leão.


A Lua em Leão: o amor e o coração:


Me parece ainda importante retomar ao que é o "amor-próprio": não se trata de nos dizer: "mas sim, você é uma bela pessoa, merece ser amada/estimada" e de "observarmos o umbigo", pois estas são que palavras que soam ocas e seguras para que nossa mentalidade tente se tranquilizar. Esse não é, acredito, o melhor método para encontrar a estima, a confiança e o amor que estão em nossos corações. Mesmo que nossas sociedades tentem nos persuadir de que a valorização pessoal passa pelo lisonjeamento e por uma imagem de si mesmo dourada artificialmente, nós sabemos que isso soa falso. pois nossos fracassos sentimentais e nossas tristezas não se abalam com esse tipo de honra.


Aspiramos por encontrar um meio concreto, já que todas nossas discussões com nossas vozes interiores não são suficientes.


A Lua em Leão está sob o governo do Sol em Aquário, o que deixa esses dois indissociáveis para iluminar tanto o que diz respeito ao nosso amor, quanto ao modo como amamos os outros. O signo de Leão é ligado a nossa criatividade e a criação, pois é a partir de nossos impulsos do coração (mais ou menos controlados) que nós exprimimos aquilo que somos. Isso pode ir bem além de nossos sorrisos mansos. Por exemplo, a cólera do leão que ruge, os dramas do leão mal amado, a expressão egótica tão forte no leão que precisa ser reconhecido, o calor contagiante do leão generoso, o orgulho do leão corajoso, a representação teatral do leão trágico, ou ainda a força inspiradora do leão comandante. Todas essas características são típicas do Leão em nós e nos atinge a todos, com mais ou menos exagero, dependendo de como nosso mapa astral tem planetas habitados em Leão. Quanto mais for o caso, mais sentiremos esse sofrimento agudo da falta de amor e mais aprenderemos a reconectar com nosso coração sagrado, a nossa fonte de Amor interior.


Eis então que a Lua Cheia dessa noite ilumina, enquanto o Sol em Aquário, que está de frente a ela, continua a remoer nossas ideias e certezas abstratas de modo caótico. Existe um movimento no ar, de surpresas, geralmente vindas de fora, de mal entendidos e de instabilidades, pois Mercúrio retrógrado em Aquário está bem perto do Sol, e atiça as confusões, as más interpretações, e pode criar verdadeiras disputas entre as pessoas. Paradoxalmente, quanto mais a pessoa for próxima de nós em termos de intimidade (por exemplo, a ou o companheir@ ao qual estamos apaixonados), ou quanto mais nosso sentimento for forte e exclusivo (propriedade do Leão) por alguém (nosso filho, parente próximo), maiores podem ser as ondas emotivas.


Por que é que se amamos alguém, é justamente em relação a ela que somos mais reativos? Porque geralmente vivemos uma grande necessidade de exclusividade, que nos deixa vulneráveis e dependentes uns dos outros. A Lua Cheia nos mostra que se caminharmos em direção a um maior desapego emocional, com mais frieza e reclusão (Sol em Aquário), ao nos virarmos para os outros e o exterior, ao invés de abraçá-los (Lua em Leão) pelo medo que gera nossa falta de amor, encontraremos então um real equilíbrio e reintegraremos nossos sentimentos mais moderados, que nos proporcionarão uma real capacidade de criar uma nova realidade afetiva.


Caso contrário o emocional é posto em uma rude prova, e nos obriga a revisitar nossas velhas estratégias afetivas tão arraigadas de desvalorização e de medo da rejeição e solidão, com intensas reminiscências da infância (Júpiter retrógrado em Câncer), em nos impor que passemos por estados onde nos sentiremos tão vulneráveis quanto bebês abandonados. As vezes, para as pessoas sensíveis ou fragilizadas pela tristeza, o simples fato de respirar profundamente para se induzir "dentro do coração" é o suficiente para trazer a tona lágrimas incontroláveis que testemunham uma grande mágoa há muito contida e que pede para se expressar. Algumas expressões tomam então todo o sentido, como "ter o coração pesado" ou "ter um peso no coração" e isso evoca aos choros das criançãs quando estão tristes ou são contrariadas. Nós mesmos, adultos, ainda somos ligados à criança que fomos e que nem sempre pôde expressar livremente todas as suas mágoas. Devido aos nossos condicionamentos educativos, sempre esmagamos muitas de nossas dores afetivas e feridas de nosso ego ao nível cardíaco, tenhamos ou não consciência disso. Para conhecer um retorno passível de amor em nossa vida é bom que não negligenciemos nem tratemos de analizar intelectualmente tais feridas.


Nada disso é criticável, pois nada em si é bom ou ruim, tudo é evolutivo para nós mesmos e para os outros ao mesmo tempo, seja por propagação, por ressonância, mimetismo ou efeito-espelho.


Mas somente o amor pode nos curar de nossas dores. E o amor-próprio é saber se escutar, se perdoar, se compreender e se aceitar dentro de todos os estados emocionais que nos assomam. Ademais, é saber se dar prazer, se proporcionar uma vida mais alegre pela escolha deliberada de criar uma atmosfera em si que seja pacífica e harmoniosa (Marte em Libra) a fim de que o que está a nosso redor também se torne assim.


Tudo sempre retorna ao início para a necessidade imperativa de se dar um tempo, ficar em silêncio. (Vênus em Capricórnio nos convida a introspecção, ao isolamento para reencontrar nossos valores pessoais e a uma certa distância das paixões). O resultado é a busca do sucesso, devido ao trígono (aspecto que protege) que religa Marte em Libra ao Sol atualmente conjunto a Mercúrio retrógrado. Quanto mais nos interiorizarmos e meditarmos (Mercúrio retrógrado) por uma escolha consciente de se recolher e se distanciar emocionalmente (Marte em Libra), mais nos aproximaremos do equilíbrio harmonioso.


A meditação é, portanto, nosso meio de focarmos sobre os pensamentos e sentimentos dentro do aqui e agora. Tudo converge para nos incitar a nos "deixar inspirar" pelos sopros e a descer em direção as profundezas do ser. Permitir que a calma e a paz se instalem para reconectar a vibração mais elevada de nós mesmos.


Todos somos portadores desses dóceis raios amorosos e reconfortantes, portanto lhes desejo para essa Lua Cheia em Leão e para todos os outros dias, belas batalhas, grandes transformações e todo o entusiasmo corajoso de Leão, para prosseguirmos nossa evolução individual e coletiva.



Michka





4.2.14

Vôo de Loki para Jötunheim


Fonte: wiki
Þrymskviða


Thor acorda e percebe a perda de seu martelo Mjölnir. Ele vai ao encontro de Loki, e os dois vão à corte de Freya. A deusa tinha uma capa de penas de falcão que lhe dava a habilidade de se transformar em pássaro e voar pelos diversos mundos. Loki lhe pede emprestado sua capa para poder procurar o objeto perdido, sendo atendido. Ele pega a capa e sai à procura.
Em Jotunheim, o gigante Þrymr está sentado numa mamoa e vê Loki chegando. Ele pergunta o que estaria acontecendo entre os deuses e os elfos para Loki estar sozinho naquele local. Loki responde que ele tinha más notícias para deuses e elfos, o martelo de Thor havia sumido. O gigante responde que havia escondido o Mjölnir debaixo da terra, e que o devolveria somente se Freya fosse trazida para se tornar sua esposa. Loki então deixa o local, e volta à presença dos deuses.
Thor questiona o sucesso da busca de Loki. Loki conta que o martelo está com Þrymr, mas que só seria devolvido se Freya fosse levada a ele para se tornar sua esposa. Os dois vão ao encontro da deusa e a pedem para se vestir de noiva, para que fosse a Jotunheim. Indignada, ela protesta com ódio, fazendo com que seu colar Brisingamen caia, e recusando-se a fazer tal coisa. Como resultado, os deuses se reúnem para discutir o assunto. Heimdall sugere que Thor se disfarce e se vista de noiva e vá ao local, o que é rejeitado por Thor. Mas Loki apóia a ideia, dizendo que essa seria a única forma de recuperar o martelo. Ele argumenta que, sem aquele martelo, os gigantes poderiam invadir e se estabelecer em Asgard. Os deuses então vestem Thor como uma noiva, Loki se disfarça de mulher para acompanhá-lo como ajudante, e os dois então partem para Jotunheim.
Cavalgando juntos na biga levada por cabras, os dois chegam ao local. Þrymr comanda os gigantes em seu salão para prepará-lo para a cerimônia. No começo da noite, Loki e Thor encontram-se com Þrymr; Thor come e bebe ferozmente, consumindo animais inteiros e muito hidromel. Þrymr estranha tal comportamento, mas Loki, sentado ao lado e percebendo a situação, desculpa-se e alega que "Freya" não havia comido por oito dias, tão ansiosa estava com o casamento. Þrymr levanta o véu e deseja beijar a noiva, mas nota os olhos raivosos encarando-o. Loki novamente se desculpa, dizendo que "ela" não havia dormido por oito noites ansiosa com o casamento.
Pede-se o presente de casamento, e os gigantes trazem o Mjölnir para santificar a noiva, e casar os noivos sob bênção da deusa Vár. Thor exulta quando vê o martelo: finalmente recuperando-o, matando todos os gigantes presentes na cerimônia, e mais alguns no caminho de volta a Asgard .