24.3.14



Ruídos em ruínas,
Cacos de caos.


Trapos traçando
Rabiscos, rasuras.


Sonhos sonâmbulos,
Pesadelos pesarosos.


Solidão na multidão,
Desespero na espera.


Who knows?
Not me.

19.3.14

Lua em Virgem - 16 de março de 2014



Bem vindos, meus amigos, a esse domingo de Lua Cheia em Virgem. A oposição Lua em Virgem e Sol em Peixes é a oposição entre o concreto e o imaterial: o que me parece mais forte nesse momento é a tomada de consciência de nossos limites humanos e materiais, como se ficássemos face a face com aquilo que é certo na Terra (Virgem), visível, real e palpável, e o que está no Céu (Peixes), invisível, porém aberto, grandioso, ilimitado e insondável. Veremos como essa oposição pode se tornar rica em ensinamentos.




Essa constatação pode, entretanto, ser desagradável, caso tenhamos o hábito de "planar" em nosso mundo interior ideal e um pouco confuso, e sejamos obrigados a "descer" para o concreto e viver uma situação que não é a que sonhamos. Isso pode, ao contrário, se tornar um momento muito abstrato e nos desnortear, caso tenhamos hábitos limitados, quadrados e assegurados pela rotina, aos quais a experiência proposta está além de nosso conhecimento, e vem solicitar-nos fé dentro de uma total perda do controle da situação.




Eis um exemplo (a busca de um grande amor ou de nossa alma gêmea) que mostra que assim que esquecemos nossa "natureza humana" somos confrontados com a desilusão, mas também, em outro sentido, conforme estamos preparados para largar tantas raízes materiais, podemos nos abrir para o "maravilhoso". Escolhi a busca do amor grandioso que não tem idade nem cor, cada um de nós sabe o que isso quer dizer, pois é a busca por ser amado.




Assim que imaginamos esse amor imenso que vem iluminar nossa vida de um modo maravilhoso, de acordo com aquele que sonhamos quando éramos criancinhas, ao passo que o projetamos para o outro nossas atenções com força (os Peixes em nós podem ser verdadeiros ditadores que se ignoram!), não mais compomos algo com o outro, mas bem ao contrário, nós o negamos. Tenhamos lhe aureolado, colocado em um pedestal e divinizado, ou tenhamos não o visto como ele é. A Vida, que é sábia, nos mostra, particularmente nesse momento, aquilo que não nos integra na experiência.




A Lua Cheia nos faz ver o lado mais frustrante, que nos limita, nos enfia os pés na terra (Virgem). Mesmo que não encontremos esse amor maravilhoso em nenhum lugar, nenhuma alma gêmea a vista, nunca a "pessoa correta"; ou ainda que aquela pessoa que consideramos com certeza ser nosso príncipe ou princesa se torne o objeto de todo nosso sofrimento, devido a nossa vida nos obrigar a ficar nos limites do "possível". Ou ainda, acreditamos ter encontrado o amor, mas conforme avançamos na relação nossas descobertas se revelam decepcionadoras: ele ou ela não são mais que seres humanos, não um anjo como acreditávamos. Existem virtudes, é certo, mas também defeitos terrestres que não amamos! Eis aqui uma iluminação dessa Lua Cheia para adquirir ou guardar o senso das realidades.




Mas, de um modo genial, isso também funciona em outro sentido, e essa face-a-face de Peixes com Virgem é uma perfeita fonte de elevação, abertura e evolução. Quando estamos reservados, fechados, e seguros de que ninguém pode vir nos trazer qualquer amor que seja, que corresponda a nossos critérios restritivos (Virgem em nós é bem quadrado e decidido que as coisas devem ser assim ou assado, e não de outro modo!), a Vida, que é benevolente, nos faz crer que alguém é muito bondoso mas não nos atrairia, não condiz com nossos critérios, mas nos inspira pois é bom, amoroso e tão devotados, que não podemos resistir.

O mesmo vale para todos os planos de nossa vida (a relação com o dinheiro, com o trabalho, com a saúde), mas então nos deparamos com a escolha: queremos continuar doentes em nossos Virgens pragmáticos, hiper-maníacos, hipocondríacos, sem querermos nos prender a nada que não seja relacionado a experiência concreta e deixar passar a abertura benéfica que se apresenta? Desejamos ficar em nosso sonho do paraíso perdido (Peixes), nossa espera irrealista de algo distante ou de um porvir mais sorridente e sonhador, sonhar e sonhar sem se dar conta da situação que ali está em nossa frente, de criar na matéria, no cotidiano, passo a passo, na densidade, no concreto, a magnífica experiência do maravilhoso?




Em ambos os casos há um equilíbrio a conquistar e essa Lua cheia nos ilumina. Pode ser que já tenhamos consciência dessa oposição de Virgem-Peixes mas nós navigamos entre o deixar-pra-lá (Peixes) esses momentos onde reprimimos um controle feroz (Virgem) ou bem o contrário. Esse momento, portanto, nos esclarece em nossas ausências de limites sobreviventes de comportamentos de restrições e frustrações. Só as tomadas de consciência acabam por deixar tudo isso enriquecedor.




Um exemplo concreto: quando sou tomada por um espírito puro estou dentro de uma abertura máxima e correta do coração, mas dou, sem me dar conta, todo o espaço para meu Ego espiritual (aquela parte de mim que crê poder ser amada ao se devotar a outrem e se mostrar magnífica, venha o que vier). Nesse caso, reencontro rapidamente com alguém que vai se aproveitar de meus grandes sentimentos e me aniquilar materialmente, me tomar uma grande parcela de tempo ou abusar-me sentimentalmente. E no que me concerne, fato feito, agradeço a todos que tenham me iludido ou invadido, pois me ensinaram, no mais nobre sentido do termo, a não esquecer que doar minha confiança e energia sem restrições abrange o risco de me embarcar (Peixes) além dos limites do que para mim é racional (Virgem).




Júpiter em Câncer continua nos relembrando do passado e nos permitindo contacta-lo por meio de sonhos noturnos, lembranças ou imagens mentais que nos atravessam, ou até mesmo por situações que se repetem de modo recorrente. O que há de mais enriquecedor nessa oposição é nos relembrarmos de todas as outras vezes onde deixamos vir essa situação, em outros lugares ou com outras pessoas.



Câncer trata da memória, do passado enraizado em nossa mais tenra infância dentro dos condicionamentos precisos, ligados ao afetivo. Retomando meu exemplo, quando eu era pequenininha, na escola, era "gentil" e emprestava a todos meus amigos tudo o que precisavam, tudo que eu tivesse na mochila (lápis, borracha, giz) até que fui repreendida quando a professora percebeu que não sobrou nada pra mim.

Vejamos, portanto, que aquilo que nós repetimos desde sempre em nossas vidas, como comportamentos que ainda não soubemos nos livrar totalmente. Gratidão a Júpiter em Câncer por nos refrescar a memória!




O mais doloroso será se afastar disso, pois isso gerará nostalgia (Ah! Como "antigamente" era bom!) ou nos trará conclusões que nos fará nos proteger demais (aquilo que o mundo nos propõe é deveras "malvado" ou "perigoso"). Portanto, a Lua Cheia, auxiliada pelos outros planetas, nos permite aumentar ainda mais a consciência.




Esse eixo de Vênus e Peixes é uma perfeita ilustração do ladrão e o roubado, da vítima e do carrasco: toda nossa dimensão irrealista que quer o mundo através de lunetas cor-de-rosa é posta em xeque quando somos arrastados por um ladrão em uma motocicleta. Não, não vivemos em uma esfera da existência onde "todo mundo é belo, todo mundo é gentil", mas tampouco este mundo é "podre". Esse tipo de história nos faz recordar que viemos explorar as energias baixas da densidade terrestre e que é necessário se manter acordado e vigilante. Porém podemos, uma vez centrados em nosso próprio discernimento e sabedoria, viver o sonho do amor incondicional.




Acusar os outros, o mundo, o governo, o clima, tudo isso é em vão, é somente um modo de nos roubar a nossa parte individual de responsabilidade. A expressão "varrer a própria porta", que significa "se ocupar de nossos afazeres" é bastante relacionada às energias de Virgem, e trata-se de fazer a faxina de si mesmo, de ser metódico com vista a melhorar nossa clareza de espírito, limpar as zonas bagunçadas. Conforme projetamos ao exterior e ao outro uma "falha", fugimos de nosso próprio engajamento de explorador consciente de nossa própria vida. Isso também pode ser rejeitar, de modo errôneo, uma crítica que é injusta, pois o outro também fez o seu melhor e todo mundo caminha como pode.




Ao contrário, quanto mais observamos o conjunto da situação ou da relação com um espírito de compreensão e um sentimento de compaixão, sem julgamento (Netuno em Peixes aceita as coisas do jeito que elas vem), mais tiraremos de nossa experiência aprendizados sobre o que é o melhor para a humanidade e nosso próprio Espírito se enriquecerá com novas lições, novos saberes. Ao mesmo tempo, o Outro se torna um sutil amigo nesse sutil caminho de vida, pois ele nos ensina graças ao que faz e diz. E o mundo se transforma em nosso espelho consciente.




É o que nos propõe Mercúrio em Aquário: retirar de tudo o que vivemos no agora um conceito mais global e menos emocional, ao extrair um princípio novo e evolutivo, original e fora das ideias prontas que temos empregado até então, uma visão mais humanista, que abarca a natureza humana de todos. Mercúrio em Aquário nos trás a seguinte mensagem: "Pensemos na humanidade como aquilo que nos reune e nos liga uns aos outros.".




Se fizermos isso seremos sustentados por Marte em Libra (trígono de Mercúrio e Marte), que sugere temporizar, harmonizar, nos realinhar à maravilha de uma atitude nova propícia a atual evolução. Marte em Libra permite que as situações e relações se equilibrem para melhor, dentro da paz, e que as mudanças se façam com doçura.




Esse mesmo desafio é proposto também devido ao eixo dos nódulos lunares: Marte rege o Nódulo Sul em Áries (tomada de novas iniciativas, novos passos, ousar empreender uma inédita forma de caminhar) e Vênus no Nódulo Norte, em Libra (tomar escolhas que sejam justas para nós mesmos). Um conselho desse eixo pode ser de que façamos parte das coisas, que pesemos os prós e contras, que pensemos em agir para nós mesmos (Áries nos auxilia a nos afirmarmos), mas respeitando os outros (Libra permite o altruísmo). Esse eixo ficará por muitos meses e o veremos cada vez de uma forma subentendida.




Vênus em Aquário nos sopra anseios de autonomia e facilita esse lançamento de auto-expressão, nos fazendo cientes dos outros, mas com um certo distanciamento, pois não nos mergulha na hiperemotividade, e nos auxilia no desapego. Ofender nossos velhos dogmas, chorar quando os outros choram, não é necessariamente a melhor forma de amar.




Vênus, assim localizada, sustenta Urano em Áries, portanto todos nós sabemos que isso é um elevador de consciência, pois Urano é o planeta que faz o mundo tremer nesse momento em direção a um futuro totalmente inédito, é o pioneiro de nosso próprio mapa e o aspecto em nós que deseja se tornar único, que é genial, original e que está na origem das coisas jamais conhecidas ou experimentadas. Sim, todos temos isso em nosso Mapa Astral, e é bom que saibamos e ousemos seguí-lo sem temer os olhares alheios.




A quadratura de Urano em Áries com Plutão em Capricórnio sempre provoca abertura, e, mesmo se isso não é algo muito exato do ponto de vista astrológico, sempre está ativo em sua simbologia e somos sempre desafiados a nos desfazer de nossas antigas mentalidades. Mesmo que já tenhamos arquivado bastante e sacrificado um monte de nossas crenças, feito um pent fino de nossos comportamentos anciãos, ainda não tivemos o lazer de repousar aobre nossos lírios. Plutão em Capricórnio vela com sagacidade e pode ainda ser feroz contra nós se nos suspemdermos sobre nossos próprios medos e partes rígidas. Pois Plutão é como um sobrevivente perspicaz que não nos abandona, espera que todos nós nos tornemos de acordo com nossa natureza divina, ao domesticar um ego que se satisfaz na ilusão e no narcisismo. Os meios de Plutão são exigentes, por vezes cruéis, se resistimos, e podem nos amputar de modo terrível, atacando aquilo que mais temos no coração e ao qual justamente mais nos apegamos: um lugar de viver, um jeito de ser nas relações, nosso dinheiro, nossa reputação, nossos valores, hábitos, saúde, a vida dos nossos próximos... Plutão não tem pena, é o reflexo de nossa autenticidade e pede que sejamos honestos e desprovidos de luxúria, de ciúmes, de tentativas de manipulações.




Lua Negra em Câncer: Mesmo se tivermos medo e um sentimento de insegurança pairar em nós, que pode jorrar de modo compulsivo, teremos a escolha de nos concentrar e reencontrar em nossa força interior a certeza de uma boa raíz e de auto-proteção suficientes. Trata-se de aumentar a sabedoria, de tomar conta de si mesmo sem nos adoecer (ruminações excessivas, rancores, mente vingativa, nostalgias de infância...) e sem nos super-proteger.




Abrigamos uma parte vulnerável e séria que nos pede ajuda e razão adulta, sabedoria de pessoa madura e responsável. Mas não caiamos nem no excesso de dureza ("não devemos nos escutar"), nem na fulga de nossas sensibilidades ("vai passar por si só") sob pretextos de nos tornarmos "seres responsáveis". Plutão não irá mais admitir isso, pois é o encarregado de trazer todo o peso do mundo e o esquecer.

Não dá mais para carregar nossa própria bagagem, e durante essa Lua Cheia nos será proposto de modo inspirado (Sol em Peixes) que façamos a escolha (Lua em Virgem) daquilo que nos é mais útil e que pode passar a escotilha.




Mais concretamente, mesmo em nossas velhas vidas de todos os dias, já existe paralelamente na atmosfera do momento, a ideia de uma boa faxina de outono, que podemos sentir como uma vontade de fazer a faxina, de esvaziar nossos armários para jogar fora, doar, reciclar todas as nossas coisas velhas e de limpar as gavetas? Sim! Então significa que estamos dentro da energia dos planetas!




Lhes desejo que aproveitem ao máximo essa última Lua Cheia do ciclo, para fazer um balanço do que queremos guardar a fim de semear a partir do equinócio de outono os grãos de um futuro que nos inspira no agora.




Michka

2.3.14

Lua nova em Peixes

Fonte: http://www.vers-la-lumiere.fr/2014/03/astrologie/nouvelle-lune-en-poissons-1er-mars-2014


1º de março de 2014

Bem vindos, queridos amigos!


A Lua Nova em Peixes é uma lunação que marca o fim do verão sobre o plano das estações. Isso pode ser para nós um momento de transição ou de retiro para nos recolocarmos em contato com nossa vida interior, nossos ideais e nossos desejos, um momento propício para fazermos um pequeno balanço antes do outono Ariano, que inaugurará muito em breve um novo ano astrológico.


Como em todo período de Lua Nova, eis aqui uma ocasião de sentir (e é exatamente essa a questão nesse mês: sentir com os sentimentos, ressentimentos, inspirações...) o que há em nós e como nosso vivemos nosso próprio "pisciano".


É o momento de se dedicar a qualquer coisa de nova, com essa forte energia da água, que é forte e vulnerável ao mesmo tempo, em analogia à água do oceano: como o oceano, Peixes passa de uma grande calma quase apática à um tumulto que imerge, submerge, com extremas variações emocionais, violentas e caóticas. Essa energia está em todos nós, tenhamos ou não tenhamos planetas nesse signo em nosso mapa astral.


Há muitas maneiras de vivenciar Peixes, essa energia dupla ou "mutável", ou seja, que permeia uma grande latitude de evolução, para favorizar nossa adaptação. O balanço é feito a partir da aceitação de desafiar a nós mesmos e de mudar um pouco nossa visão de "a utilidade do sofrimento", pois enquanto acreditarmos que "se deve sofrer pra crescer", ou que "não vale a pena sonhar" nós flertaremos com essas crenças extremas que nos impedem de viver o melhor de Peixes.


Para esse mês:


Onde temos a Lua Nova em Peixes no nosso Mapa Astral, pode causar um novo impulso sobre a busca pelo equilíbrio entre o sonho e a realidade, essa busca de uma visão mais intuitiva e crítica, a aceitação de que tudo tem um ar imaterial e cósmico, mesmo se isso nos escapa a compreensão mental.


Pois devemos sempre começar de algum lugar, podemos tentar nesse mês nos reconectarmos aos nossos sonhos, sentir o que seria para nós uma vida ideal e nos orientarmos a criá-la graças as nossas visões pessoais. Ousar novamente crer em nossos sonhos!


A Lua Nova é sempre uma espécie de encontro da energia solar e a energia da vida que anima nossos próprios corpos no dia-a-dia. É por isso que de um modo mais prosaico os atuais planetas também nos guiarão no cotidiano do momento:


Mercúrio em Aquário, oposto a Lua negra em Leão, é um caminho que nos permite compreender intelectualmente a mensagem desse momento. Em Aquário ele nos doa o senso do que é socialmente e comumente admitido nos termos das "ideias pré-estabelecidas" e dos conceitos não forçamente realizáveis na vida de todos os dias. Tenhamos atenção aos ideais sociais idealistas, mas muito irrealistas, e nos conectemos aos nossos próprios sensos de liberdade, igualdade e fraternidade (Mercúrio em Aquário) sem adentrarmos nas polêmicas ideológicas.


De frente a essa Lua negra em Leão, Mercúrio nos trás o desafio de sentir intuitivamente o que é bom para nós quanto indivíduos (Leão) e de ficar em contato com aquilo que amamos e como nos amamos. Respeitemos nossos medos e os escutemos, escutemos bem a voz da Lua Negra que nos relança ao nível de nossos medos, nossa legitimidade de sermos amados, nossa dignidade, nosso mérito pessoal. O que desejamos criar que tem a ver com nossas mágoas pessoais e com nossa criança interior? O que desejamos ver se concretizar nesse mundo social, que tem a ver com o amor em nós, com a auto-estima e com a estima pelos outros, com o valor pessoal de cada um?


Vênus em Capricórnio trás sabedoria aos nossos desejos, tempera e estrutura nossos valores, os deixando mais conforme a responsabilidade. Redefine de modo bem-vindo nossos limites, pois deseja ser correta e conter nossas emoções (que sorte, diante essa lua em Peixes que faz vir à tona emoções inconscientes profundamente enterradas e escondidas!). Ela nos mantém de cuca fresca e nos trás o desafio de mantermos um equlíbrio sóbrio face ao eixo dos nódulos Áries/Libra: saber respeitar nossos desejos individuais e os dos outros.


Marte em Libra está em conjunção com o Nódulo Norte, que se instala ali também no signo zen libriano. Trata-se de decidirmos por nós mesmos e de nos posicionarmos em função de nosso desejo de paz e harmonia dentro das relações com os outros, e desse modo, de aprender a se comprometer. Isso não é renunciar, nem se rebaixar, como diria nosso orgulho, mas de tomar escolhas diplomáticas onde levamos em conta a outra pessoa sem contudo abrir mão de nossos próprios pontos de vista, e de estabelecer um tratado de paz, ao respeitarmos a possível oposição de opniões e decisões: há nessa mediação uma atitude de compaixão e de respeito por si e pelos outros.


Júpiter em Câncer atiça uma quadratura já bem vigorosa e estabelecida, a de Urano e Plutão, que tensiona o céu para dinamizar nossas novas escolhas de vida, e ativar pra destruir nossos antigos comportamentos que ficaram ultrapassados, inadequados. Júpiter em Câncer aumenta nossa sensibilidade a flor da pele, afim de que não possamos escapar de sentir; nos coloca o desafio de ouvir nossas vozinhas interiores, que normalmente chamamos de intuições, mas que geralmente são as percepções dos sentimentos, dos rancores ou dos desejos ligados aos nossos sonhos, ao nosso imaginário (sempre dentro da nossa gama escolhida).


Júpiter em Câncer nos permite ruminar (sendo alguém com Ascendente em Câncer, adoro essa expressão "ruminar", assim como a vaca que leva um tempo ruminando a grama para a pré-digerir). Então, ainda que tenhamos geralmente um olhar negativo sobre esse modo de "revisar" as informações vindas do passado, e como eu acho esse preconceito inadequado, lhes convido a lhes ver assim: são as escolhas de nossa vida que são difíceis de "passar" e não podemos realmente digerí-las custe o que custar sem "ruminá-las". É preciso tempo, e é esse tempo de gestação e de ruminação que permite amaciar bem, no sentido figurado, as informações, até que elas possam ser assimiladas por nós (Júpiter, o planeta da assimilação, do ensinamento).


Saturno em Escorpião, nosso sábio interior e censurador, nossa autoridade interna, nos permite sentir como, por nossa própria participação responsável, podemos criar um novo mundo, um mundo solidário e humano para todo o conjunto. Saturno em Escorpião está em quadratura com Mercúrio em Aquário: em qual modelo de sociedade temos um profundo desejo de nos projetarmos e o que podemos ainda transformar e erradicar (Escorpião) em nós mesmos para alcançarmos esse ideal final?


Urano e Plutão, ainda em quadratura, são os planetas coletivos que geram as maiores tensões do mundo atual no campo social, financeiro, político e também no plano climático, a fim de que as pessoas - precisamente nas piores experiências - fiquem dispostas a encarar enfim as causas e passar a uma nova etapa, uma nova era. Na nossa psiqué, Urano e Plutão criam uma dinâmica de mudanças nessas ordens, provocando desafios nos domínios de nossas vidas pessoais, os quais devem evoluir de modo radical.


Netuno e Quíron são os artesãos ativos dessa Lua Nova, pois interagem com ela em Peixes e aumentam o Amor Divino em nós, ao nos permitirem o reestabelecimento por meio da conexão com nossa Natureza Transcendental. Mesmo se não somos médiums ou visionários místicos, essas forças são de possível abertura. Sintamo-as em nós. E observamos ao redor, abramos nossos olhos do coração para com nossos próximos, e assim poderemos observar como o Amor também se insinua docilmente neles, mesmo naqueles que tenhamos julgado como muito duros ou materialistas, ou demasiados racionais para alcançar essa doçura infinita. Ali está o lado maravilhoso do grande ilusionista que é Netuno, e que pode diluir as piores rigidezas em cada um de nós, assim como a água do oceano ele corroi lentamente, delongamente, a base do penhasco, causando uma erosão até fazer um poço arredondado e harmonioso.


Não esqueçamos que ali onde há um nó duro em nossa vida, uma resistência forte, Netuno semeia o sonho, a magia e por fim adoça tudo. Assim é a mensagem de esperança dessa nova lunação que quis compartilhar convosco: deixemos nos tocar por nossos sonhos.


Com meus pensamentos amorosos, e com a alegria da presença de todos,


Michka


















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Observando...

Sol matinal de domingo preguiçoso
Passarinhos se encarregam em livre sonoplastia
A adentrar com leveza as janelas fechadas
Escondem pessoas sonolentas ou um vazio de presença?
Um raio bate numa janela que bate em mim
Olho pro céu, nuvens confortáveis
Olho pro asfalto, poças de chuva da madrugada que ficou pra trás
Passa na calçada um senhor (miniatura) de terno, gravata, sapato e maleta
Fantasia de carnaval?