19.3.14
Lua em Virgem - 16 de março de 2014
Bem vindos, meus amigos, a esse domingo de Lua Cheia em Virgem. A oposição Lua em Virgem e Sol em Peixes é a oposição entre o concreto e o imaterial: o que me parece mais forte nesse momento é a tomada de consciência de nossos limites humanos e materiais, como se ficássemos face a face com aquilo que é certo na Terra (Virgem), visível, real e palpável, e o que está no Céu (Peixes), invisível, porém aberto, grandioso, ilimitado e insondável. Veremos como essa oposição pode se tornar rica em ensinamentos.
Essa constatação pode, entretanto, ser desagradável, caso tenhamos o hábito de "planar" em nosso mundo interior ideal e um pouco confuso, e sejamos obrigados a "descer" para o concreto e viver uma situação que não é a que sonhamos. Isso pode, ao contrário, se tornar um momento muito abstrato e nos desnortear, caso tenhamos hábitos limitados, quadrados e assegurados pela rotina, aos quais a experiência proposta está além de nosso conhecimento, e vem solicitar-nos fé dentro de uma total perda do controle da situação.
Eis um exemplo (a busca de um grande amor ou de nossa alma gêmea) que mostra que assim que esquecemos nossa "natureza humana" somos confrontados com a desilusão, mas também, em outro sentido, conforme estamos preparados para largar tantas raízes materiais, podemos nos abrir para o "maravilhoso". Escolhi a busca do amor grandioso que não tem idade nem cor, cada um de nós sabe o que isso quer dizer, pois é a busca por ser amado.
Assim que imaginamos esse amor imenso que vem iluminar nossa vida de um modo maravilhoso, de acordo com aquele que sonhamos quando éramos criancinhas, ao passo que o projetamos para o outro nossas atenções com força (os Peixes em nós podem ser verdadeiros ditadores que se ignoram!), não mais compomos algo com o outro, mas bem ao contrário, nós o negamos. Tenhamos lhe aureolado, colocado em um pedestal e divinizado, ou tenhamos não o visto como ele é. A Vida, que é sábia, nos mostra, particularmente nesse momento, aquilo que não nos integra na experiência.
A Lua Cheia nos faz ver o lado mais frustrante, que nos limita, nos enfia os pés na terra (Virgem). Mesmo que não encontremos esse amor maravilhoso em nenhum lugar, nenhuma alma gêmea a vista, nunca a "pessoa correta"; ou ainda que aquela pessoa que consideramos com certeza ser nosso príncipe ou princesa se torne o objeto de todo nosso sofrimento, devido a nossa vida nos obrigar a ficar nos limites do "possível". Ou ainda, acreditamos ter encontrado o amor, mas conforme avançamos na relação nossas descobertas se revelam decepcionadoras: ele ou ela não são mais que seres humanos, não um anjo como acreditávamos. Existem virtudes, é certo, mas também defeitos terrestres que não amamos! Eis aqui uma iluminação dessa Lua Cheia para adquirir ou guardar o senso das realidades.
Mas, de um modo genial, isso também funciona em outro sentido, e essa face-a-face de Peixes com Virgem é uma perfeita fonte de elevação, abertura e evolução. Quando estamos reservados, fechados, e seguros de que ninguém pode vir nos trazer qualquer amor que seja, que corresponda a nossos critérios restritivos (Virgem em nós é bem quadrado e decidido que as coisas devem ser assim ou assado, e não de outro modo!), a Vida, que é benevolente, nos faz crer que alguém é muito bondoso mas não nos atrairia, não condiz com nossos critérios, mas nos inspira pois é bom, amoroso e tão devotados, que não podemos resistir.
O mesmo vale para todos os planos de nossa vida (a relação com o dinheiro, com o trabalho, com a saúde), mas então nos deparamos com a escolha: queremos continuar doentes em nossos Virgens pragmáticos, hiper-maníacos, hipocondríacos, sem querermos nos prender a nada que não seja relacionado a experiência concreta e deixar passar a abertura benéfica que se apresenta? Desejamos ficar em nosso sonho do paraíso perdido (Peixes), nossa espera irrealista de algo distante ou de um porvir mais sorridente e sonhador, sonhar e sonhar sem se dar conta da situação que ali está em nossa frente, de criar na matéria, no cotidiano, passo a passo, na densidade, no concreto, a magnífica experiência do maravilhoso?
Em ambos os casos há um equilíbrio a conquistar e essa Lua cheia nos ilumina. Pode ser que já tenhamos consciência dessa oposição de Virgem-Peixes mas nós navigamos entre o deixar-pra-lá (Peixes) esses momentos onde reprimimos um controle feroz (Virgem) ou bem o contrário. Esse momento, portanto, nos esclarece em nossas ausências de limites sobreviventes de comportamentos de restrições e frustrações. Só as tomadas de consciência acabam por deixar tudo isso enriquecedor.
Um exemplo concreto: quando sou tomada por um espírito puro estou dentro de uma abertura máxima e correta do coração, mas dou, sem me dar conta, todo o espaço para meu Ego espiritual (aquela parte de mim que crê poder ser amada ao se devotar a outrem e se mostrar magnífica, venha o que vier). Nesse caso, reencontro rapidamente com alguém que vai se aproveitar de meus grandes sentimentos e me aniquilar materialmente, me tomar uma grande parcela de tempo ou abusar-me sentimentalmente. E no que me concerne, fato feito, agradeço a todos que tenham me iludido ou invadido, pois me ensinaram, no mais nobre sentido do termo, a não esquecer que doar minha confiança e energia sem restrições abrange o risco de me embarcar (Peixes) além dos limites do que para mim é racional (Virgem).
Júpiter em Câncer continua nos relembrando do passado e nos permitindo contacta-lo por meio de sonhos noturnos, lembranças ou imagens mentais que nos atravessam, ou até mesmo por situações que se repetem de modo recorrente. O que há de mais enriquecedor nessa oposição é nos relembrarmos de todas as outras vezes onde deixamos vir essa situação, em outros lugares ou com outras pessoas.
Câncer trata da memória, do passado enraizado em nossa mais tenra infância dentro dos condicionamentos precisos, ligados ao afetivo. Retomando meu exemplo, quando eu era pequenininha, na escola, era "gentil" e emprestava a todos meus amigos tudo o que precisavam, tudo que eu tivesse na mochila (lápis, borracha, giz) até que fui repreendida quando a professora percebeu que não sobrou nada pra mim.
Vejamos, portanto, que aquilo que nós repetimos desde sempre em nossas vidas, como comportamentos que ainda não soubemos nos livrar totalmente. Gratidão a Júpiter em Câncer por nos refrescar a memória!
O mais doloroso será se afastar disso, pois isso gerará nostalgia (Ah! Como "antigamente" era bom!) ou nos trará conclusões que nos fará nos proteger demais (aquilo que o mundo nos propõe é deveras "malvado" ou "perigoso"). Portanto, a Lua Cheia, auxiliada pelos outros planetas, nos permite aumentar ainda mais a consciência.
Esse eixo de Vênus e Peixes é uma perfeita ilustração do ladrão e o roubado, da vítima e do carrasco: toda nossa dimensão irrealista que quer o mundo através de lunetas cor-de-rosa é posta em xeque quando somos arrastados por um ladrão em uma motocicleta. Não, não vivemos em uma esfera da existência onde "todo mundo é belo, todo mundo é gentil", mas tampouco este mundo é "podre". Esse tipo de história nos faz recordar que viemos explorar as energias baixas da densidade terrestre e que é necessário se manter acordado e vigilante. Porém podemos, uma vez centrados em nosso próprio discernimento e sabedoria, viver o sonho do amor incondicional.
Acusar os outros, o mundo, o governo, o clima, tudo isso é em vão, é somente um modo de nos roubar a nossa parte individual de responsabilidade. A expressão "varrer a própria porta", que significa "se ocupar de nossos afazeres" é bastante relacionada às energias de Virgem, e trata-se de fazer a faxina de si mesmo, de ser metódico com vista a melhorar nossa clareza de espírito, limpar as zonas bagunçadas. Conforme projetamos ao exterior e ao outro uma "falha", fugimos de nosso próprio engajamento de explorador consciente de nossa própria vida. Isso também pode ser rejeitar, de modo errôneo, uma crítica que é injusta, pois o outro também fez o seu melhor e todo mundo caminha como pode.
Ao contrário, quanto mais observamos o conjunto da situação ou da relação com um espírito de compreensão e um sentimento de compaixão, sem julgamento (Netuno em Peixes aceita as coisas do jeito que elas vem), mais tiraremos de nossa experiência aprendizados sobre o que é o melhor para a humanidade e nosso próprio Espírito se enriquecerá com novas lições, novos saberes. Ao mesmo tempo, o Outro se torna um sutil amigo nesse sutil caminho de vida, pois ele nos ensina graças ao que faz e diz. E o mundo se transforma em nosso espelho consciente.
É o que nos propõe Mercúrio em Aquário: retirar de tudo o que vivemos no agora um conceito mais global e menos emocional, ao extrair um princípio novo e evolutivo, original e fora das ideias prontas que temos empregado até então, uma visão mais humanista, que abarca a natureza humana de todos. Mercúrio em Aquário nos trás a seguinte mensagem: "Pensemos na humanidade como aquilo que nos reune e nos liga uns aos outros.".
Se fizermos isso seremos sustentados por Marte em Libra (trígono de Mercúrio e Marte), que sugere temporizar, harmonizar, nos realinhar à maravilha de uma atitude nova propícia a atual evolução. Marte em Libra permite que as situações e relações se equilibrem para melhor, dentro da paz, e que as mudanças se façam com doçura.
Esse mesmo desafio é proposto também devido ao eixo dos nódulos lunares: Marte rege o Nódulo Sul em Áries (tomada de novas iniciativas, novos passos, ousar empreender uma inédita forma de caminhar) e Vênus no Nódulo Norte, em Libra (tomar escolhas que sejam justas para nós mesmos). Um conselho desse eixo pode ser de que façamos parte das coisas, que pesemos os prós e contras, que pensemos em agir para nós mesmos (Áries nos auxilia a nos afirmarmos), mas respeitando os outros (Libra permite o altruísmo). Esse eixo ficará por muitos meses e o veremos cada vez de uma forma subentendida.
Vênus em Aquário nos sopra anseios de autonomia e facilita esse lançamento de auto-expressão, nos fazendo cientes dos outros, mas com um certo distanciamento, pois não nos mergulha na hiperemotividade, e nos auxilia no desapego. Ofender nossos velhos dogmas, chorar quando os outros choram, não é necessariamente a melhor forma de amar.
Vênus, assim localizada, sustenta Urano em Áries, portanto todos nós sabemos que isso é um elevador de consciência, pois Urano é o planeta que faz o mundo tremer nesse momento em direção a um futuro totalmente inédito, é o pioneiro de nosso próprio mapa e o aspecto em nós que deseja se tornar único, que é genial, original e que está na origem das coisas jamais conhecidas ou experimentadas. Sim, todos temos isso em nosso Mapa Astral, e é bom que saibamos e ousemos seguí-lo sem temer os olhares alheios.
A quadratura de Urano em Áries com Plutão em Capricórnio sempre provoca abertura, e, mesmo se isso não é algo muito exato do ponto de vista astrológico, sempre está ativo em sua simbologia e somos sempre desafiados a nos desfazer de nossas antigas mentalidades. Mesmo que já tenhamos arquivado bastante e sacrificado um monte de nossas crenças, feito um pent fino de nossos comportamentos anciãos, ainda não tivemos o lazer de repousar aobre nossos lírios. Plutão em Capricórnio vela com sagacidade e pode ainda ser feroz contra nós se nos suspemdermos sobre nossos próprios medos e partes rígidas. Pois Plutão é como um sobrevivente perspicaz que não nos abandona, espera que todos nós nos tornemos de acordo com nossa natureza divina, ao domesticar um ego que se satisfaz na ilusão e no narcisismo. Os meios de Plutão são exigentes, por vezes cruéis, se resistimos, e podem nos amputar de modo terrível, atacando aquilo que mais temos no coração e ao qual justamente mais nos apegamos: um lugar de viver, um jeito de ser nas relações, nosso dinheiro, nossa reputação, nossos valores, hábitos, saúde, a vida dos nossos próximos... Plutão não tem pena, é o reflexo de nossa autenticidade e pede que sejamos honestos e desprovidos de luxúria, de ciúmes, de tentativas de manipulações.
Lua Negra em Câncer: Mesmo se tivermos medo e um sentimento de insegurança pairar em nós, que pode jorrar de modo compulsivo, teremos a escolha de nos concentrar e reencontrar em nossa força interior a certeza de uma boa raíz e de auto-proteção suficientes. Trata-se de aumentar a sabedoria, de tomar conta de si mesmo sem nos adoecer (ruminações excessivas, rancores, mente vingativa, nostalgias de infância...) e sem nos super-proteger.
Abrigamos uma parte vulnerável e séria que nos pede ajuda e razão adulta, sabedoria de pessoa madura e responsável. Mas não caiamos nem no excesso de dureza ("não devemos nos escutar"), nem na fulga de nossas sensibilidades ("vai passar por si só") sob pretextos de nos tornarmos "seres responsáveis". Plutão não irá mais admitir isso, pois é o encarregado de trazer todo o peso do mundo e o esquecer.
Não dá mais para carregar nossa própria bagagem, e durante essa Lua Cheia nos será proposto de modo inspirado (Sol em Peixes) que façamos a escolha (Lua em Virgem) daquilo que nos é mais útil e que pode passar a escotilha.
Mais concretamente, mesmo em nossas velhas vidas de todos os dias, já existe paralelamente na atmosfera do momento, a ideia de uma boa faxina de outono, que podemos sentir como uma vontade de fazer a faxina, de esvaziar nossos armários para jogar fora, doar, reciclar todas as nossas coisas velhas e de limpar as gavetas? Sim! Então significa que estamos dentro da energia dos planetas!
Lhes desejo que aproveitem ao máximo essa última Lua Cheia do ciclo, para fazer um balanço do que queremos guardar a fim de semear a partir do equinócio de outono os grãos de um futuro que nos inspira no agora.
Michka
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Gratidão por compartilhar <3
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