15 de abril de 2014
Bom dia a todos,
O que há de especial nessa Lua Cheia? O eclipse total aliado a Lua no eixo de Áries e Libra. Mas também a quadratura quase exata de Plutão em Capricórnio e Urano em Áries, que se forma no 13º grau desses signos, e a cruz cardinal perfeita que se anuncia. Muitas coisas foram ditas e escritas sobre esse momento preciso onde chega a "grande mudança" com reforços de previsões mais ou menos agradáveis, e sinto vontade de compartilhar aqui meu próprio sentimento, mais calmo e moderado. Que isso não interfira em seus ideais ou crenças caso não convenha, respeite-se e siga suas visões pessoais, pois todos somos fornecidos de guias mediadores interiores, sejam quais forem as diferenças, e não tenho como objetivo convencer, mas exprimir minha convicção íntima.
Acredito que o momento atual não deva criar medo, mesmo que as palavras possam induzir essa ressonância nos níveis de nossas personalidades. Não é útil nos empenharmos alegremente em celebrar a chegada de um novo mundo amanhã. Se trata, ao contrário, de nos mantermos serenos e centrados em nós mesmos, nos escutarmos, sem nos deixarmos levar pelos fenômenos anunciados ou previsões exteriores.
Creio que o medo chama a negatividade e a dualidade, ao passo que a confiança na Energia Amorosa que nos inspira chama a sabedoria. Sempre há, por nossa parte, um tipo de "assentimento" tácito que nos alcança, escolhamos isso ou não. Onde necessitamos do poder da prece ou da meditação, de recentrar no que temos de mais curador em nós: o Coração, onde vive o amor.
O eclipse total da lua de 15 de abril:
Fisicamente, o que é um eclipse? O que nós vemos? Nada, durante alguns instantes, pois é um momento onde a Lua Cheia desaparece pros nossos olhos. Para que possamos contemplar o fenômeno físico do eclipse lunar é preciso que ele aconteça durante a noite no lugar em que vivemos.
O que acontece enquanto isso? O eclipse lunar ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua estão alinhados, e a Terra passa entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre a Lua, e a obscurescendo de modo que não mais a vemos. Vocês sabem que, de fato, a Lua não "brilha" por si só, é sempre o reflexo da luz do sol que ela irradia.
Assista esse vídeo para compreender melhor:
O que é isso na astrologia simbólica?
A Lua se refere muito ao nosso inconsciente e a nossa vida cotidiana, ritmando nossos ciclos, sobretudo interiores. A Lua cheia corresponde a um momento de tomada de consciência, onde estamos na claridade e na plenitude, momento este que pode ser visto como o paroxismo do ciclo a cada mês, pois o laço instaurado a partir da Lua Nova é levado ao ápice, de onde temos as compreensões de nossos comportamentos, flashes acerca de algumas ideias passadas, etc: vemos mais claro aquilo que nos estava "escondido", e então retornamos ao começo, durante os dias seguintes, em direção a próxima Lua Nova, que nos impulsará a outras coisas. Esse movimento se renova mensalmente.
Os eclipses tem o efeito de cortar essa repetição e interrompem o ciclo a nossos olhos, de modo breve mas significativo, nos tampando por um tempo bem curto o que nos nutre e ilumina o inconsciente. Nesse momento em que estamos "nas sombras" surgem revelações, que vem a tona assim que a Lua volta a aparecer. É simbólico e, como com toda linguagem fundada nos mitos e nos símbolos, devemos ser sensíveis quanto a como isso condiz como colaboração para receber as revelações em questão, que surgem de uma ruptura em relação às memórias antigas, ocasião de liberação de pesos do passado e de hábitos ou comportamentos que se tornaram desataptados; tudo isso a maior parte do tempo atravessado no inconsciente, salvo para o com aqueles que se escutam e se sentem interiormente.
Esse "corte" em relação as nossas âncoras precedentes é significado no eixo que se dá a Lua Cheia, entre Áries e Libra.
A quadratura de Urano e Plutão:
Tudo já foi dito aqui sobre esse assunto, e portanto, nos lembramos bem que se trata de um momento de limpeza coletiva e individual, que pede por mudanças. Quanto mais nos abrimos à renovação da vida, mais as revoluções trazidas por Urano em Áries nos parecerão fáceis de aceitar, e até mesmo agradáveis, desejadas, bem-vindas. O caminho de nossa transformação e de nossa cura começou há muitos anos, as energias que tocam atualmente por meio das influências dos planetas são somente um momento de crise, mas uma crise de mutação salutar, favorável a nossa elevação e evolução.
As forças poderosas de transformação estão abertas e podem ser vistas na vida cotidiana para "aqueles que quiserem ver". A mudança não é uma novidade, ela tem se instaurado progressivamente, porém se acelera de modo visível, geralmente sob formas que nos são as mais assustadoras: o caos e as perdas.
Por que o mundo está tão caótico e tão "de cabeça pra baixo"?
Porque muitos resistem às mudanças, se agarram aos comportamentos antiquados, aos bens, às posses, e isso gera uma energia de comprensão, de opressão, como o efeito do vapor dentro do forno. Se aceitamos mentalmente nos adaptarmos (deixar sair a pressão) a tudo que não conhecemos bem ou que chega de modo imprevisto (Urano em Áries), mesmo se isso nos desestabiliza, o movimento será sem dúvidas mais fluídico. Mas nossas resistências criam tensão, rebelião, explosão. Todas as pessoas que não aceitam as mudanças e perdas em suas vidas (perda do emprego, da moradia, do poder de compra, de postos e provilégios, de um parceiro...) participam da criação de uma energia explosiva que observamos no mundo: as manifestações com fanatismo, terrorismo, guerras são provas da violência possível de Urano em Áries quando este está reprimido. Não estou dizendo que é fácil. Mas que temos um poder pessoal para exercer, na maestria de nossas reações, e que isso é preponderante para mantermos a estabilidade em nós e ao nosso redor.
Não basta querer criar a paz no mundo enquanto mantemos em nossa interioridade ou vida individual as energias de conflitos, de segregação, rebelião, rancor ou reinvindicação. Porque tudo se junta e pesa sobre o coletivo. Como dizia Gandhi: "seja a mudança que você quer para o mundo.". Somos?
Portanto, mesmo caso não alcancemos o estado de paz, como quer nosso ideal, não é algo tão grave assim, pois mesmo essas energias de tensões extremas são úteis ao prezo, elas de fato criam um mal estar em nós e isso obriga a nos questionarmos. O cansaço, tal como a depressão, é igualmente um motor poderoso para ressaltar-nos para além do sentimento de injustiça.
O mundo se prepara para uma maior abertura da consciência, ao passo que o enforcamento rígido (Capricórnio) dos valores antigos, das crenças anciãs sobre o amor, o trabalho, a política, o poder, a educação, sobre o que e como tudo isso deve ser feito e etc, tudo o que nos freia e acomoda perante a mutação demandada para a evolução da humanidade (Urano em Áries), e ao mesmo tempo, tudo isso que ocorre inevitavelmente, está se interrompendo sob a ação conjunta de Urano e Plutão em Capricórnio. Isso exige verdade nua, transparência, abrir mão do orgulho e das reinvidicações; um total renascer a partir de um despir completo.
Plutão também destrói em nós as poupanças e cria em nossas vidas pessoais graves perdas: lutos, separações, fracassos. A menos que enfrentemos essas ações antecipando as mudanças (por exemplo, sair de um trabalho assim que sentimos que ele não mais convém e só trás tensões; ou, ainda, fazer o velório de nossas expectativas em uma relação a dois). Plutão se encarrega de nos desprover de tudo aquilo que nos agarramos, conscientes ou não. Tange sobretudo nosso senso de dever, de responsabilidade (Capricórnio), nossa rígida perseverança em seguir os objetivos por ambição, pelo sentimento de dever, segurança e estabilidade, ou em nome das obrigações inventadas para nós em relação com os outros, sob a ameça do sentimento de culpa. Todos esses sistemas vêm à tona, nos causando muito peso e sofrimento, para que enfim possamos abandoná-los em nossas vidas.
Para cada um de nós isso se trata de perguntar-se onde estamos perante nossos valores. Estamos autenticamente a serviço de nosso Ser ou estamos a serviço dos valores menores, que se baseiam no poder de uns sobre os outros, com competição e lucros, e ao mesmo tempo sobre a valorização de si mesmo baseando-nos em esforços, trabalhos e performances? Quanto mais nos apoiamos com apego em valores e ideais do passado, mais nossa vida atualmente parece se afundar sob nossos passos ou diante de nossos olhos, e mais perdemos peso em todos esses domínios.
Ao mesmo tempo, os valores que nos asseguram nos sistemas coletivos estabelecidos irão também colidir inexoravelmente, ao passo que virão à tona o abuso dos bens sociais, as manipulaçōes maquiavélicas para chegar ao poder, a perversidade, o enriquecimento financeiro pessoal ou o ato de colocar como priopridade valores falsos ou perversos. A educação, a medicina, a política, os bancos, os sindicatos profissionais, a habitação, a ecologia, os modos de pensar, de se comportar e etc, serão chamados a desaparecer para se renovarem totalmente, mas isso se tratará a princípio dentro de nós mesmos. Não devemos mais manter as coisas ali, custe o que custar, mas sim deixá-las partir, morrer e reconstruir o novo no lugar.
Apesar de todas as nossas resistências possíveis referentes ao que nos soa como uma responsabilidade, o avanço é inevitável, pois existem outros fatores que nos ultrapassam: o DNA está em mutação, as gerações jovens chegam com novas bases, talentos e visões diferentes, e o tempo que levam pada aprender é reduzido.
O movimento caminha em direção a Era de Aquário: mais igualdade, solidariedade, respeito pelos outros, empatia e amor. Devemos nos liberar para vivermos de um modo que seja mais conforme nosso ideal: a harmonia, a fraternidade entre os humanos, a simplicidade, a benevolência. Acabemos com o poder e a chantagem, os laços de força. Para isso devemos derrubar nossos velhos esquemas de desconfiança, nossos medos de sermos enganados ou abusados, nosso desejo incansável de sermos melhores, mais bem posicionados, mais performáticos. Observemos nossos pensamentos antigos e o modo como ainda funcionamos parecendo rígidos robôs. A análise em questão nos é demandada em todos os níveis da vida cotidiana.
Os meios da Lua Cheia:
A cruz cardinal que exprime a mudança é representada pelas linhas vermelhas que ligam os planetas nos signos de Áries, Libra (eixo da atual Lua Cheia), de Câncer e Capricórnio. Essa configuração é um desafio que dinamiza e porta grandes novidades, relações e iniciativas. Coletivamente e individualmente. Em quais domínios iremos perceber a mudança?
Na vida familiar e doméstica, mas também em nosso interior (Câncer), assim como no poder que obtemos ou excercemos sobre os outros (Capricórnio) e a afirmação de nossas ambições em nossa vida social; tudo o que concerne nossa fragilidade emocional e sentimental (Câncer), tanto quanto nosso hábito de maestrar a outrem a expressão de nossos sentimentos e não manifestar sua delicadeza (ou não mostrar sua fragilidade). Nossa propensão a portar os problemas alheios (Capricórnio) e nossa faculdade de escutar nossas próprias necessidades afetivas ou de consolação (Câncer), quereres que são exarcerbados por Júpiter e a Lua Negra.
Também é um eixo de responsabilidade: sair de nossos comportamentos infantis, por vezes caprichosos, para nos tornarmos adultos estáveis e assumirmos nossas vitórias, assim como nossas perdas e necessidades de recuperação. Temos em mãos a tarefa de nos ocuparmos de nossos próprios problemas e emoções, no silêncio, retiro e maestria (de modo benevolente e dócil). Pois se trata de nossa conexão com a infância, que é passada, mas que deixou seus traços e guarda memórias vivas (Câncer). É nossa ligação com a autoridade (Capricórnio) que excercemos, assim como com a que nos submetemos.
E para o eixo da Lua Cheia, podemos observar as forças de mudanças em nossas relações com os outros, especialmente as que estão num nível de casal ou de associações (Libra), em nossos comportamentos face às escolhas, como nos afirmamos nelas (Áries) e como nos posicionamos - ou não - e com que intensidade (Libra); na comunicação não-violenta (Libra) ou exarcebada e impulsiva (Áries). Em nossa capacidade de viver de maneira autônoma (Áries) e em nos ocupar, a princípio, de nós mesmos ou sermos dependentes de outros (para agir, lhes servir, conceder prazer). Como sentiremos essas mudanças?
Nessa configuração tão dinâmica tudo depende de nossos funcionamentos habituais. Se o eixo Áries - Libra é muito ativo e mal canalizado (coléra, nervosismo ou implicações excessivas para com os outros) as relações podem se tornar tensas, a afirmação corre risco de causar problemas e as escolhas serão difíceis, pois a impaciência e um sentimento de urgência podem se apoderar de nós, aniquilando toda chance de harmonia.
Isso será exatamente o oposto se já estamos em paz conosco e temos o hábito de fazer escolhas conscientes e centradas, de viver nossa relação com os outros de maneira temperada e autêntica, sem conflitos, na partilha equilibrada dos afazeres, e se somos capazes de exprimirmos nossas opiniões sem guerra nem batalhas egóicas. Então essa cruz mutável aumentará ainda mais nossa consciência, gerando ainda mais tudo isso: harmonia e temperância de escolhas e um posicionamento alegre para com todos (Marte, Lua e Nódulo Norte em Libra), uma autonomia que permite mostrar um novo caminho a cada um que seja desejoso de nos seguir e se revela capaz de compreender essa ligação (Urano e Mercúrio em Áries) assim como comunicá-la por meio de exemplos.
É o exemplo de um alpinista pioneiro que abre uma via de ascensão sobre uma montanha, a qual ainda será seguida por centenas de outros. Ele ousou se singularizar com audácia e dentro de uma certa solidão. É também o exemplo de pais recentes que mostram a seus filhos, por meio de seus próprios comportamentos e sem nada dizer, como viver de modo amoroso e justo um novo caminho educativo. Assim, cada vez que decidirmos manifestar nossos valores ideais (paz, amor, equilíbrio, beleza, etc) criamos um exemplo e uma irradiação que tocará os outros. Não há nada a ser dito, nada a ser feito para convencer, simplesmente devemos colocar em prática por nós mesmos. E isso bastará para influenciar os que estão por perto!
O que mais:
O trígono de Peixes com Câncer: aceitar o que se apresenta, tanto do exterior quanto de nossos sentimentos íntimos, sem pretensão nem preconceitos. (Netuno e Quíron em Peixes). Seguir nossos sonhos e ideais, mas não se deixar levar pelas brumas da ilusão. Por exemplo, se meu sonho é um mundo de amor onde todos se ajudam e se apreciam, animados pelo espírito da caridade, então coloco em ação essas coisas belas para mim e em minha vida: aceito pacificamente os eventos e não forço nada, mas não me deixo seduzir, pois sei que nessa dimensão a desordem e a instabilidade também coexistem. Partilho do que tenho, de modo equilibrado, sem excesso, mas me mantenho lúcido sobre o fato de que o outro pode recusar ou não estar de acordo. Em mim, o tempo todo, preservo a paz e os pensamentos que não criam conflitos inúteis ou dilemas interiores, como "ah, adoraria comer um bolo, mas não quero engordar." Ou "adoraria sair com tal pessoa, mas vou recusar para não parecer frívola".
Vejam, observem todo esse sistema de dualidade permanente entre "o que eu desejo" ou "do que necessito" (a escuta de si em Câncer) versus "do que me privo" (a censura abusiva em Capricórnio).
O sextil de Peixes e Capricórnio: trata-se, por exemplo, de colocar em prática o amor incondicional em direção a nós mesmos, a princípio, e de deixar ir embora todas nossas certezas passadas e o poder que excercemos sobre os outros. "Me amo como sou, me autorizo a ser assim e não mais me ocupo do que dirão, nem ligo para expectativas alheias, pois concedo a cada um sua parcela de responsabilidade e liberdade de pensar."
Desejo-lhes uma bela Lua Cheia e lhes envio muito encorajamento para tomar consciência de vossas novas conexões e anseios para atravessar da melhor maneira esse intenso e transformador período.
Michka
Fonte:
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