30.6.14

Lua Nova em Câncer


Bom dia meus amigos,

A Lua Nova, quando o Sol e a Lua estão no mesmo grau do zodíaco, é o momento do ciclo onde a lua vem abastecer o sol com novas energias para distribuir durante todo o mês. Após termos criado intenções e capturado vigor no fogo de Áries, elaborado pacientemente a construção de nossos projetos na terra de Touro, estimulado nossa leveza no ar de Gêmeos, a Lua Nova em Câncer, signo de água, nos propõe que adentremos nossa bolha para nela nos nutrirmos da doçura e ternura (como no ventre materno), com graça e receptividade, escutando nossas vozes interiores e abastecendo nossas forças pessoais.


É uma enegia de intimidade, de concentração, que nos convida a uma certa proteção, pois está em contato com nossa sensibilidade, sentimentos e emoções, o que geralmente nos deixa vulneráveis e frágeis como crianças, mas que em um nível superior de expressão está ligada a alma e porta a memória de onde viemos, pois em Câncer estão nossas raízes (terrestres e espirituais).


Os aspectos de tensão entre os planetas (visíveis em vermelho no mapa astral) são dinamizadores e pedem que nos posicionemos, enquanto aqueles que sustentam nossos esforços (em azul) são nossas fontes de facilidade. Estamos, e sentiremos com frequência daqui em diante, no coração de um período de transmutação coletiva e individual.


O que pode nos incomodar... Mas nos fazer avançar:

A quadratura de Plutão em Capricórnio e Urano em Áries (mesmo se não está exata) prossegue sua obra de destruição das estruturas, e sobre o plano individual isso abrange nossas crenças e apegos às maneiras antigas de agir que se tornaram inadequadas, pois Urano nos direciona para a vontade de mudar e desperta tanto a revolta quanto as novas visões sobre o que nos tornamos... Às vezes os dois ao mesmo tempo.


De fato, com a quadratura de Plutão em Capricórnio e Marte em Libra a mensagem em nossa vida cotidiana é tomar decisões em função daquilo que gera fluideza em nós (Marte em Libra) e depois consagrar um momento para reflexão e "pesar prós e contras". Isso é egoísta? Não, é fazer um teste de audácia e independência, fazer uma boa escolha para si se torna um ato de maturidade espiritual.

A partir desse mês Plutão em Capricórnio desmembrará as noções de poder, de obediência, de autoridade, a fim de que tomemos as responsabilidades por nossas vidas individuais. A posição retrógrada de Saturno em Escorpião (outro signo de poder) nos confirma que se trata de decidirmos e nos comportarmos com paciência (Marte em Libra, Mercúrio retrógrado em Gêmeos), determinação e coragem para avançarmos e assumirmos um papel nesse momento de mudança.


Essas duas quadraturas são um convite para que nos afirmemos de maneira inovadora, por vezes inconveniente e surpreendente, que façamos aquilo que jamais ousamos fazer antes, o que não significa atropelar os outros. Afinal, na nova era de Aquário e o espírito humanista que se instala, sabemos que o outro sou eu e que o que cada um faz para si ou contra si interage com o todo. Então, avante!


 * Júpiter em Câncer:
A quadratura de Júpiter no eixo dos Nódulos Lunares de Áries e Libra possui diferentes possíveis repercursões, mas trás sempre um ensinamento onde o conselho é fazer boas escolhas para nós mesmos, com total independência.


* O sonho noturno:

Como Júpiter continua criando em nós agitações emocionais intensas, e trazendo a tona histórias de nosso passado (dessa vida e até das anteriores, as quais não temos conscientemente mais do que vagas reminicências), o eixo cármico ou de evolução pode se tornar o terreno de experiências privilegiadas de nossos sonhos noturnos, a fim de que portemos uma visão nova das coisas do passado. Nossa alma viaja de noite, e, recordemos ou não de nossos sonhos, eles são verdadeiros.


Assim, há algum tempo, podemos viver nossas noites como lutas com o passado. Os seres que tivemos, em nossa história e memória, associados com sofrimento, ressurgem e integram o cenário, nos pedindo que "tratemos" novamente da situação, como um filme que se repete para mudar o sentido: violências e dores afetivas submersas no passado, acidentes e incidentes que criamos e causaram sofrimento nos outros. Os pesadelos são compreendidos como ricos em lições e mensagens (Júpiter é um guia de ensinamentos), mas não é necessário que todos passemos por isso...


*As lembranças, os reencontros:

Ao invés disso, podemos com frequência observar que pessoas que não encontramos há tempos aparecem em nosso presente, seja na forma de lembranças (deparamos com uma foto antiga, uma velha carta esquecida, um objeto carregado de afeto), seja na forma de uma visita, ou um encontro imprevisto, que chamaremos, é claro, de sincronicidade (tipo de coincidência que tem um sentido profundo). Isso também é carregado de significação, e se nos conscientizarmos, pode ser muito estimulante ver o caminho percorrido, as diferenças entre o jeito como nos comportamos comparado com a época onde tivemos essas relações e, positivamente, isso pode nos doar um grande *élan* entusiasta (Júpiter e, quadratura com o Nódulo Sul em Áries) se vermos os acontecimento com gratidão.



* As histórias de família:

O outro lado da moeda é que Júpiter, que é antes de tudo um amplificador, seja vivenciado de modo bastante egocentrico, sem assim trazer consigo a mensagem do amor.  Rancor e ruminação podem vir no lugar disso. O terreno em foco: a família, a infância, as "memórias familiares", os abusos de poder dentro da família... Não se trata de julgar, mas de avaliar e evoluir em direção a uma harmonização entre nós e o outro, com independência e coragem.


Como sempre isso se trata também da lei do carma: eu colho o que semeio. Essa lei nos convida a escolhermos em plena consciência, a fim de recolhermos aquilo que realmente desejamos. A justiça terrestre e divina se ligam no nível de Júpiter, que é um guia e anjo guardião. Porém, é claro, devemos para isso escutá-lo sem deixar o orgulho dedicir ou ocupar muito espaço.



* A alma:

Júpiter em Câncer também sopra nossa alma, pois o divino em nós (representado aqui pelos aspectos jupterianos da espiritualidade e da fé) se serve de nossas almas (conectadas a energia de Câncer). Assim, podemos sentir o que se passa em nós por uma via de sabedoria, entusiasmo e fé, e desse modo obtermos o que nossa essência deseja.


* Os outros planetas:

Vênus em Gêmeos faz com que evitemos dramatizar e até sentir certas situações, adentrando o campo mental superficial e desdenhoso. Porém, por mais que isso seja as vezes desagradável, o momento pede que mergulhemos nos sentimentos e ressentimentos, aceitando as coisas como são, e que resistamos a tentação de tentar explicar tudo de modo racional (o que é uma tendência devido a quadratura com Netuno em Peixes).

Mercúrio retrógrado em Câncer está em aspecto harmônico com o eixo dos Nódulos, o que nos conforta nos sentimentos e guia às escolhas do interior (Mercúrio em Câncer é muito inspirado e sensível para com o ambiente ao redor). Provoca facilidade para exprimir as coisas de maneira justa com ímpeto.

O movimento retrógrado de Mercúrio finalizará no dia 2 de julho, e isso permitirá que as trocas de comunicação, assim como transportes e transações, ocorram de modo mais fluido.

A Lua Nova em Câncer é uma oportunidade de adentrarmos nossa bolha emocional e enxergarmos se nossos sentimentos são dóceis como o ambiente de um ninho acolhedor, como a ternura de um coração amante, ou se ainda guardamos rancores e mágoas pelas situações onde nossos valores foram violados. O universo não julga nada, tem suas leis. O que queremos viver? Quais são nossas maneiras? O amor incondicional, a gratidão, o sentimento de abundância do presente e a fé são guias poderosos para reencontrarmos o júbilo profundo, seja qual for o estado emocional pelo o qual passamos.

Sob o plano físico e da saúde, devemos nos atentar à digestão e tudo o que concerne essa região corpórea: o tórax, o esôfago, o estômago... Câncer, no corpo, trata da gestação e da digestão.

Quanto ao plano energético, a Lua Nova em Câncer pede qhe meditemos, que nos concentremos no chakra do plexo solar. Podemos meditar sobre o eixo que liga a Terra e nossas raízes (pelo chakra do períneo) com o Céu (pelo chakra coronário), e então concentrar essa energia no plexo solar para irradiá-la para o exterior.


E, enfim, desejo a todos um belo período de Lua Nova em Câncer, pleno de carinhos compartilhados.

Michka





16.5.14

Lua Cheia em Escorpião

Fonte: http://www.vers-la-lumiere.fr


14 de maio de 2014

Bom dia meus amigos,

Essa Lua Cheia tem uma conotação especial devido a Festa do Wésak. Independentemente disso, porta em si muitos desafios. Mesmo se nosso desejo é de conexão com a energia desse momento sagrado, podemos nos encontrar confrontados com profundas resistências emocionais que estão em nosso inconsciente (Saturno em Escorpião), assim como fatigados fisicamente (pois Saturno se opõe ao Sol em Touro, grande portador de energia).

Portanto, Saturno, que escolta a Lua Cheia, não facilita a leveza, tampouco o espírito festivo, mas permite, àqueles dentre nós que podem, medir toda a sabedoria e a responsabilidade que nos concerne e a usar em prol de nossos estados de alma. Saturno tão próximo não facilita nada, a não ser que nos permitamos ficar em um estado global mais sereno.


Assim, conforme a Lua em Escorpião favorece nossas percepções e convicções íntimas e nos guia na conexão com o invisível e com o "lado de lá" (podemos seguir nossas intuições com sucesso), concede muitas tensões interiores e angústias, devido ao fato de se associar às energias transformadoras desse signo. Ao mesmo tempo, em Escorpião, temos a força e o poder de transcender as emoções mórbidas.


O objetivo da Lua Cheia face à Touro é nos levar de encontro à mensagem do Sol que convida a ver, ouvir, sentir, tocar e provar o presente em tudo que uma encarnação propõe. Isso passa pelo corpo, que nem sempre está "em forma" perante todos os tumultos que temos atravessado, mas a sabedoria e o equilíbrio, assim como a concentração, virtudes propostas por Saturno, podem ser auxílios preciosos para "colocar o pé no chão" nesse período, pois o Sol em Touro nos devolve à nossa natueza simples e a tudo aquilo que é abundante na vida ao nosso alcance: a alegria de viver o instante presente sem nos atormentarmos: sorrir sem motivo, ou por um pensamento, uma lembrança agradável, comer coisas saudáveis, dormir bem, escutar música ou os passarinhos, caminhar na natureza, sentar num parque e sentir o perfume das flores... Se concentrar, se doar plenamente, fazer carinho (mesmo num gato ou cachorro que passeia na rua, por que não?), preservar as relações amigáveis e jubilosas, sem "quebrar a cabeça"...

Então poderemos também nos dizer que nada dura e que, apesar das pequenas coisas difíceis de viver, dias mais leves virão. Nos autorizemos a não ficarmos "no topo", a não fazer como queremos (Marte, o grande poderoso das ações ainda está retardado devido a seu movimento retrógrado), mas guardemos a confiança de que a "recompensa" logo virá. O papel de Saturno aqui em Escorpião também é de permitir que canalizemos nossas emoções, assim como de nos colocarmos perante nossas responsabilidades. Ele não deixa que nos afastemos da gravidade terrestre e das regras que regem a vida sobre o planeta, e nos coloca freios e limites que não fazem sentido a não ser que pensemos em um caminho mais global, seja lá em qual domínio: nossas realizações concretas, sucesso profissional, contexto afetivo...

Desde que subamos um pouco além das aparentes dificuldades geradas sob esse clima de Lua Cheia, não teremos que fazer mais do que aceitá-las como situações simplesmente humanas e inerentes à essa vida, e Saturno, que parece um impecílio, se tornará um guia, um educador que proporciona crescer em sabedoria.

Isto posto, ainda existem facilidades propostas pelo entusiasta Júpiter em Câncer, mesmo se ali a Lua Negra projeta algumas sombras. Como utilizar esse Júpiter da melhor forma: devemos nos manter conectados conosco, com nossas vozinhas interiores, nossas necessidades íntimas e individuais (isso pode significar uma vontade de tranquilidade, de não queremos ser invadidos ou atrapalhados). Sem problemas, não há motivo pra querer se fechar com duas trancas, basta que escutemos nossos desejos e permitamos realizá-los. Existe muita conexão com nossas raízes nesses momentos de auto-carinho ou de afeto com alguém que nos é querido. Não é hora de raciocinar e questionar: "mas e isso aqui? E aquilo lá?", mas de nos deixarmos fluir em nossas necessidades de doçura, sem querermos controlar nossas relações em nome de deveres, ou de trabalhos que esperam de nós e nos culpam. Assim poderemos servir melhor aos outros, pois nos deixaremos no centro.


Cada vez que nos mantemos nessa consciência de nós mesmos, em nosso coração que nos guia em direção ao júbilo, podemos observar que os acontecimentos por si só (que não acontecem por acaso) passam a condizer com nossos humores e quereres, e a alegria e a gentileza se manifestam. Evidentemente, se estamos amuados, acontece o mesmo: as situações irão se alinhar aos nossos resmungos, nos dando razão para crer que todos são uns malditos lunáticos! Portanto, é melhor que tenhamos atenção ao nossos estados de espírito! Pois a lei da atração não falha.

O grande triângulo azul que está desenhado no interior do círculo designa uma figura harmônica entre os signos de água: Escorpião, onde está a Lua Cheia, Câncer, onde se situa Júpiter e Peixes, que abriga Quíron, o Asteróide. O potencial deste triângulo reside no sentimento e na sensibilidade. Quanto mais contatarmos aquilo que nos afeta por dentro (tanto o que é agradável, como o sentimento de amor e compaixão de Peixes, como as emoções a flor da pele de Câncer, e até mesmo as perturbações de Escorpião), mais colocaremos nossos talentos sentimentais a nosso serviço.

Deixar-se guiar pelo emocional pode fazer com que se abram novos espaços de experiências em nós e em nossos dias: aprender a seguir mais o sentimentos do que o pensamento racional (o qual geralmente se apoia em nossos medos e automatismos) é de fato uma fonte que permite inspiração, auxílio interior, escolhas lúcidas e esclarecidas. Vivemos em sociedades onde os sentimentos e as emoções são habitualmente abafadas, não ditas e ocultadas por muito tempo, por concentimento, ou porque não é "politicamente correto", porém não podemos mais fazer isso. A escuta interior, mais a expressão e a partilha de nossos sentimentos e emoções são formas suplementares de amor com as quais devemos entrar em acordo.

Isso permite também a cada um oportunidades de reconhecimento de seus próprios sentimentos, e isso não é mais do que um modo de autorizar a cada um que fale, voe, se liberte. Ou seja, funciona assim: quanto mais nos autorizarmos a sermos humildemente humanos, mais geraremos um sentimento de igualdade e de fraternidade ao nosso redor, por nossa simplicidade. Esse é um meio de acolher o outro em sua fragilidade e de restituir seu direito de ter, ele também, suas emoções e tristezas, as quais geralmente esquecemos ou diluimos em belas palavras abstratas.

Desejo a todos um lindo dia de Lua Cheia!

Michka

30.4.14

Eclipse e Lua Nova em Touro




29 de abril de 2014

Fonte:
http://www.vers-la-lumiere.fr/2014/04/astrologie/nouvelle-lune-en-taureau-avec-eclipse-solaire-annulaire-29-avril-2014


Bom dia meus amigos,

Como esse momento tem se passado para vocês? Pode ser que com agitações bem-vindas, pois o Céu nos banha em energias tônicas, e não posso lhes falar desta Lua Nova em Touro sem primeiramente a posicionar no contexto particular da "grande cruz cardinal" entre os dois eclipses: o lunar da última Lua Cheia de 15 de abril, como vimos, e o solar anual, de hoje. O céu está tão intenso que isso não pode passar desapercebido em nossas vidas, mesmo se já tenhamos adquirido por nós mesmos serenidade o suficiente e uma grande capacidade de manter nossas vibrações num nível elevado. Não podemos ignorar nem a atmosfera coletiva, nem nossos próprios sentimentos, no cotidiano o imprevisto se convida e todos somos mais ou menos tocados em nossas vidas pessoais.

O que causa maior impacto a essa lunação do que às dos anos anteriores em épocas semelhantes é justamente o enquadramento por dois eclipses e a configuração do céu na grande cruz cardinal, notavelmente pondo em jogo dois planetas coletivos (Urano e Plutão), os quais a ação dura muito tempo e reforma a humanidade inteira em profundidade.

* A grande cruz cardinal:

Observe o desenho do mapa celeste e veja o grande quadrado vermelho que liga quatro planetas. Os quatro cantos dessa figura geométrica são chamados "quadraturas" na Astrologia, e os diagonais são as "oposições". Esses aspectos formam a grande cruz em questão, que é cardinal pois os signos que se encontram nos ângulos são aqueles que iniciam cada uma das estações: Áries para o Outono, Câncer para o Inverno, Libra para a Primavera e Capricórnio para o Verão. Eles possuem em comum uma energia análoga aos inícios, às partidas, aos impulsos e iniciativas. Em excesso, esses signos denotam nosso autoritarismo e nossa hiperatividade que rapidamente geram o tédio, uma grande ambição e um desrespeito às possíveis estruturas. Em falta, denota nossa dificuldade de agir, uma grande inércia e facilidade em cair na rotina.

Eis porque a grande cruz cardinal nos abala tanto no nível desses signos: todos temos essas quatro energias dentro de nossos respectivos mapas, mas vivemos diferentemente esse momento, de acordo com o estado onde estamos em nossas consciências, e conforme a relevância de nossas ligações com os excessos desses signos. Aqui temos o que é posto em evidência por essas oposições:


No eixo Áries - Libra, se trata de revermos nosso comportamento tal como ele é revelado para os outros em nossas relações; podem nos aparecer tomadas de consciência em todo tipo de situação: por exemplo, nas relações em que não ousamos nos afirmar demais, privadas ou profissionais, previlegiando aos outros, seus prazeres, suas escolhas; ou, bem ao contrário, nas que somos muito egoístas e impacientes, exigindo do outro que ele satisfaça nossas vontades; ou, ainda, nos decidindo sistematicamente por todo um conjunto sem considerarmos valores sociais.

De um ponto de vista energético é a oposição entre a guerra e a paz, a cólera e a negociação, a individualidade e o altruísmo. Chegou o momento de nos interrogarmos sobre nosso senso do que é "justo" para nós e de tomar partido das coisas. É bom manter o equilíbrio entre nós e o outro, sem privilegiar nossa individualidade em detrimento dos outros, nem colocar o outro em prioridade por não saber "dizer não". E, com Marte retrógrado, não há nada a fazer a não ser nos escutarmos, confiarmos em nós, explorar nossos desejos e talentos e deixá-los transparecer.

Na Astrologia as oposições são propostas para que vejamos como dois pólos se complementam em um eixo, a fim de encontrarmos um caminho no meio. Isso deve ser posto em questão de uma vez por todas. Assim, se temos o hábito de nos "apagarmos" para evitar  conflitos (Libra) ou de nos conformarmos com as regras sociais sem nunca colocar em xeque nossas escolhas, se tornará cada vez mais necessário ver o nosso interesse e nos posicionarmos firmemente, o que por vezes pode ser simplesmente escutarmos nossos ressentimentos ou cóleras... Os quais nem sempre são maus conselheiros, mas somente uma energia de fogo, que pode até se tornar o motor de uma nova dinâmica. É nesse sentido que a mudança de paradigma intervém. Conforme eu me isolo na submissão porque minhas crenças me condicionam a não me opor aos outros para não lhes causar desprazer, ficarei inerte e ignorado, mas se escuto minha emoção, posso sentir, a partir da rebelião e da cólera, essa caminhada atenciosa à meus quereres como um verdadeiro passo em direção a mim mesmo, à abertura daquilo que está fechado. Não se trata de se tomar dos outros, nem de criticar o mundo, mas de nos posicionarmos interioramente em uma escolha que esteja de acordo com nosso desejo do coração (e manifestá-la calmamente, ao mesmo tempo que com uma certa firmeza), ao invés de nos deixarmos embarcar por nossos egos robotizados. Pois, cedo ou tarde, a mente perderá a partida quando o sofrimento que ela gera nos levar a meditarmos acerca de nossas escolhas, de nossas necessidades fundamentais e nossos verdadeiros valores, mais relacionados ao Amor.

Os planetas referentes são Urano em Áries (que já tratamos bastante) e Marte em Libra, que já está ali há algumas semanas. Urano nos balança, nos solicita uma mudança, nos pede que paremos de nos conformar com aquilo que ainda repetimos e repetimos, que ajamos de uma maneira totalmente inédita, que possamos doar inventividade às nossas vidas e transgressar nossas velhas regras. Marte ainda está retrógrado, nos pede e permite que tenhamos mais tempo conosco, com o "interior", minimizando a ação extrovertida, e sugere que tiremos um tempo para refletir antes de nos atirarmos.

Urano está em quadratura com Plutão, e como já bem lhes expliquei há duas semanas, esses são planetas lentos que agem sobre as massas e as estruturas coletivas. Plutão trabalha cada vez mais profundamente em nos desprover de nossos condicionamentos que são transmitidos há milhares de gerações (trata-se da ação sobre nossas células e DNA). Claro que é difícil para nós renunciarmos e provocarmos metamorfoses em nossas mentes e valores. Mas a quadratura de Urano - Plutão permite que a mutação ocorra mais rapidamente, o despertar e a nova visão nos parecem mais acessíveis, pois logo vemos os resultados de nossas tomadas de consciência, e isso pode nos encorajar. Urano representa o despertar, o raio genial, o relâmpago.

Cada um de nós recebe informações de seu corpo, através de emoções, por exemplo, como a sensação de estar nublado pela melancolia, pela tristeza, ou até mesmo um sentimento profundo de que as coisas são duras e injustas, ou quando sentimos fatiga física, dores articulares, doenças infectuosas... Ou até mais sérias.

Urano também está em quadratura com Júpiter em Câncer, o que amplifica nossas lembranças do passado, as memórias da infância, assim como o passado coletivo. O que disse sobre o corpo vale também para os sentimentos, os ressentimentos, as emoções... Assuntos do domínio de Câncer. Para muitos, a relação com a mãe, seja ela biológica ou de criação, vai se reativar, a fim se que proporcionemos cura e clareza nas coisas que são velhas e se repetem há muito tempo. Não se trata de retrabalharmos em nossas relações com nossa genitora, mas de sentir nossas necessidades insatisfeitas, as acolher e, por fim, aceitá-las.

No eixo de Câncer - Capricórnio o tema em questão é o poder: nosso próprio poder e aquele que doamos aos outros ou que temos sobre eles, assim como o que é uma responsabilidade. Sou responsável por aquilo que se passa comigo e em minha vida, mas não mais sou responsável, e muito menos culpado de como o outro vive a sua.


Não é meu dever intervir na vida de outrem lhe dando conselhos ou lições de moral, caso ele não peça minha opinião ou ajuda. A responsabilididade e o poder que me concernem são de cuidar da minha evolução e conduta, de minhas emoções, de escutar minhas necessidades, de criar minha vida utilizando meus dons e talentos, sem me julgar, sem me pressionar quanto aquilo que é "politicamente correto", ou o que se deve ou não deve fazer, etc. Todas essas noções de dever, de obrigação são colocadas em evidência na oposição de Câncer e Capricórnio. E Plutão abre bem nossa percepção que mostra nossa falha de autenticidade conforme escolhemos negligenciar as vontades íntimas para satisfazermos a ambição egóica de sermos conforme as normas de antigamente.

Eis, portanto, do que se trata o eixo Câncer - Capricórnio: como funcionamos em relação ao passado e como nos conformamos com o ponto de vista coletivo. Plutão impõe a Capricórnio fortes questionamentos. Existe um tipo de triagem a fazer de modo vigilante e com discernimento sobre nossos hábitos e rotinas. Aqui ainda, se desapegar não é "trabalhar duro para mudar", mas se autorizar a fazer diferente, se escutar, se deixar ir; tudo isso ocorre sozinho, desde que possamos abrir a porta para uma nova maneira de ver as coisas que são agora uma empreitada de doçura, de carinho, de acolhida de si. Não a nada a fazer para "aprender a se amar", senão simplesmente seguir nossos desejos, nossos impulsos do coração, nossos júbilos, isso é o indício mais seguro e nossa vitória se manifestará tão rapidamente que veremos que esses novos modos de agir trazem ainda mais amor pras nossas vidas. É isso que nos encoraja: nosso sucesso com resultados concretos, visíveis.

* Como não nos sentirmos prisoneiros dessa grande cruz cardinal?

O mínimo é reparar nosso mal-estar e prestar atenção às nossas dores e sofrimentos. Escutar os sinais que geralmente denotam nossas tenacidades, nossos modos de querer agir "como de hábito", ou sozinhos, pois assim será "mais bem feito"; é importante aprender a compartilhar nossas sabedorias (sempre sem moralizar!) e delegar nossos poderes, partilhar também os pesos das tarefas de trabalho, das responsabilidades, confiar, deixar espaço para o outro, ou seja: cooperar ao invés de competir.

Se você achar que sua vida não muda, observe as resistências, escute os pensamentos, veja aquilo que você tenta conservar, para o que você se esforça e deixe-se ir mais longe, deixe-se levar, deixe-se balançar… Não se pressione mais quanto a isso, tome seu tempo; Capricórnio é lento e profundo, não age com cabeçadas e se instala na durabilidade. Respeite seu ritmo e se beneficie de tudo que já foi feito, pois você o merece, é digno de amor e deve ser ciente de seus progressos. Cultive a gratidão e o contentamento e verá a transformação vir por si só.


O eclipse solar que sucede o eclipse lunar de 15 de abril aumenta o impacto das "revelações" celestes. O Sol é o astro que esquenta e ilumina os dias e nossas vidas. Durante o eclipse seus raios são parcialmente ocultados e em seguida aparecem ainda mais fortes, o que é simbolicamente o contraste das energias do eixo de Touro e Escorpião.


* A Lua Nova em Touro:

Touro é uma energia doce e que trás alegria por viver, muito feminino e sensual, se impregna da natureza, da terra e é, portanto, um momento que incita a nos mantermos próximos dela; esse período é análogo tanto a terra do jardim, quanto ao planeta Terra e nosso corpo físico, com a valorização dos cinco sentidos.

Nossos corpos devem ser honrados. Touro é a energia do bem-estar no momento presente, esse signo se nutre de cada situação e investe nela plenamente. É, então, uma energia que se permite decidir lentamente sobre a ação a tomar após ter digerido bem as ideias (Mercúrio em Touro orienta igualmente os pensamentos e a compreensão direcionados para o concreto): Touro toma seu tempo, não se precipita em nada, reflete a fim de não se deixar enganar, antes de mover, de agir ou de mudar. Eis aqui a energia lunar que é proposta nessa troca de mês.

Assim podemos continuar a nos enraizar e pousar em estabilididade. Como já disse durante a Lua Nova em Áries, nossas intenções estão abertas e irão produzir seus efeitos com doçura no decorrer dessas semanas de outono. Idealmente, durante essa Lua Nova em Touro, a calma é propícia à vida e à alegria de viver, a abundância está presente, como numa imagem da germinação sob a terra e a maturação. O aspecto material e concreto tem valor durante esse período de Lua Nova; não percamos tempo em questionamentos inúteis, apreciemos a simplicidade, mesmo na rotina. É um momento de se propor descansos, se apoiar nos prazeres do corpo, de construir nossos dias baseados na doçura.

Durante Áries no mês anterior nós nos propusemos intenções, e agora é a hora de ancorar e fixar, de docilmente colocar para concretizar.  Não estamos mais na ebulição do fogo, nem na espontaneidade ariana, mas na elaboração paciente, um dia após o outro, vivendo no instante presente. O segredo do sucesso pode até mesmo estar em viver cada hora intensamente, em estar presente, segundo por segundo, com nossos cinco sentidos.

Por exemplo: quando tomarmos banho, não pensemos em nossa lista de coisas a fazer, nem nas atividades futuras que entopem as páginas de nossa agenda. Pensemos apenas em cuidar de nosso corpo, em sentir o aroma do sabão perfumado, em aproveitar o carinho da água sobre nossa pele. Do mesmo modo, quando nos alimentarmos, façamos uma verdadeira pausa com calma, tentemos saborear conscientemente, mastigar várias vezes, nos reconciliar com o prato apetitoso. Escutar o bem-estar do corpo passa por todos esses pequenos prazeres.


A sensualidade e a sexualidade também participam do nosso estado de ser. É em vão se pretender espiritual se negligenciamos o "veículo" terrestre que é nosso corpo. O amor na relação a dois são aumentados através dos caminhos do prazer sexual e o toque, as carícias, as sensações prazerosas elevam nossa vibração e nossa energia, se as vivemos de maneira radiante. Muitos de nossos freios e rigidezas devem ser revistas para que nosso proveito em relações amorosas físicas sejam levadas ao topo. Não é momento de flutuar no imaterial, mas de habitar plenamente nosso corpo.

Os aspectos harmônicos (em azul) que ligam a Lua em Touro à Júpiter em Câncer  (as emoções, as necessidades de nossa parte infantil), assim como a Netuno em Peixes (o amor mais elevado, sem retorno ou condições), ou a Plutão em Capricórnio (transformar nossas velhas atitudes) são muito propícias em nos fazer viver momentos agradáveis e de bem-estar, e isso faz parte da ligação sugerida pela grande cruz carninal, como um impulso complementar em direção a transformação.

E, caso você não esteja muito "em forma" ou esteja passando por momentos difíceis, deixe-se levar pacientemente no decorrer dos dias, pois em pouco tempo o céu se tornará mais clemente.

Lhes desejo uma bela Lua Nova, e lhes envio meus dóceis pensamentos.

Michka


16.4.14

Eclipse e Lua Cheia em Libra

http://www.vers-la-lumiere.fr

15 de abril de 2014




Bom dia a todos,

O que há de especial nessa Lua Cheia? O eclipse total aliado a Lua no eixo de Áries e Libra. Mas também a quadratura quase exata de Plutão em Capricórnio e Urano em Áries, que se forma no 13º grau desses signos, e a cruz cardinal perfeita que se anuncia. Muitas coisas foram ditas e escritas sobre esse momento preciso onde chega a "grande mudança" com reforços de previsões mais ou menos agradáveis, e sinto vontade de compartilhar aqui meu próprio sentimento, mais calmo e moderado. Que isso não interfira em seus ideais ou crenças caso não convenha, respeite-se e siga suas visões pessoais, pois todos somos fornecidos de guias mediadores interiores, sejam quais forem as diferenças, e não tenho como objetivo convencer, mas exprimir minha convicção íntima.

Acredito que o momento atual não deva criar medo, mesmo que as palavras possam induzir essa ressonância nos níveis de nossas personalidades. Não é útil nos empenharmos alegremente em celebrar a chegada de um novo mundo amanhã. Se trata, ao contrário, de nos mantermos serenos e centrados em nós mesmos, nos escutarmos, sem nos deixarmos levar pelos fenômenos anunciados ou previsões exteriores.

Creio que o medo chama a negatividade e a dualidade, ao passo que a confiança na Energia Amorosa que nos inspira chama a sabedoria. Sempre há, por nossa parte, um tipo de "assentimento" tácito que  nos alcança, escolhamos isso ou não. Onde necessitamos do poder da prece ou da meditação, de recentrar no que temos de mais curador em nós: o Coração, onde vive o amor.

O eclipse total da lua de 15 de abril:

Fisicamente, o que é um eclipse? O que nós vemos? Nada, durante alguns instantes, pois é um momento onde a Lua Cheia desaparece pros nossos olhos. Para que possamos contemplar o fenômeno físico do eclipse lunar é preciso que ele aconteça durante a noite no lugar em que vivemos.




O que acontece enquanto isso? O eclipse lunar ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua estão alinhados, e a Terra passa entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre a Lua, e a obscurescendo de modo que não mais a vemos. Vocês sabem que, de fato, a Lua não "brilha" por si só, é sempre o reflexo da luz do sol que ela irradia.


Assista esse vídeo para compreender melhor:

O que é isso na astrologia simbólica?

A Lua se refere muito ao nosso inconsciente e a nossa vida cotidiana, ritmando nossos ciclos, sobretudo interiores. A Lua cheia corresponde a um momento de tomada de consciência, onde estamos na claridade e na plenitude, momento este que pode ser visto como o paroxismo do ciclo a cada mês, pois o laço instaurado a partir da Lua Nova é levado ao ápice, de onde temos as compreensões de nossos comportamentos, flashes acerca de algumas ideias passadas, etc: vemos mais claro aquilo que nos estava "escondido", e então retornamos ao começo, durante os dias seguintes, em direção a próxima Lua Nova, que nos impulsará a outras coisas. Esse movimento se renova mensalmente.

Os eclipses tem o efeito de cortar essa repetição e interrompem o ciclo a nossos olhos, de modo breve mas significativo, nos tampando por um tempo bem curto o que nos nutre e ilumina o inconsciente. Nesse momento em que estamos "nas sombras" surgem revelações, que vem a tona assim que a Lua volta a aparecer. É simbólico e, como com toda linguagem fundada nos mitos e nos símbolos, devemos ser sensíveis quanto a como isso condiz como colaboração para receber as revelações em questão, que surgem de uma ruptura em relação às memórias antigas, ocasião de liberação de pesos do passado e de hábitos ou comportamentos que se tornaram desataptados; tudo isso a maior parte do tempo atravessado no inconsciente, salvo para o com aqueles que se escutam e se sentem interiormente.

Esse "corte" em relação as nossas âncoras precedentes é significado no eixo que se dá a Lua Cheia, entre Áries e Libra.

A quadratura de Urano e Plutão:


Tudo já foi dito aqui sobre esse assunto, e portanto, nos lembramos bem que se trata de um momento de limpeza coletiva e individual, que pede por mudanças. Quanto mais nos abrimos à renovação da vida, mais as revoluções trazidas por Urano em Áries nos parecerão fáceis de aceitar, e até mesmo agradáveis, desejadas, bem-vindas. O caminho de nossa transformação e de nossa cura começou há muitos anos, as energias que tocam atualmente por meio das influências dos planetas são somente um momento de crise, mas uma crise de mutação salutar, favorável a nossa elevação e evolução.

As forças poderosas de transformação estão abertas e podem ser vistas na vida cotidiana para "aqueles que quiserem ver". A mudança não é uma novidade, ela tem se instaurado progressivamente, porém se acelera de modo visível, geralmente sob formas que nos são as mais assustadoras: o caos e as perdas.


Por que o mundo está tão caótico e tão "de cabeça pra baixo"?

Porque muitos resistem às mudanças, se agarram aos comportamentos antiquados, aos bens, às posses, e isso gera uma energia de comprensão, de opressão, como o efeito do vapor dentro do forno. Se aceitamos mentalmente nos adaptarmos (deixar sair a pressão) a tudo que não conhecemos bem ou que chega de modo imprevisto (Urano em Áries), mesmo se isso nos desestabiliza, o movimento será sem dúvidas mais fluídico. Mas nossas resistências criam tensão, rebelião, explosão. Todas as pessoas que não aceitam as mudanças e perdas em suas vidas (perda do emprego, da moradia, do poder de compra, de postos e provilégios, de um parceiro...) participam da criação de uma energia explosiva que observamos no mundo: as manifestações com fanatismo, terrorismo, guerras são provas da violência possível de Urano em Áries quando este está reprimido. Não estou dizendo que é fácil. Mas que temos um poder pessoal para exercer, na maestria de nossas reações, e que isso é preponderante para mantermos a estabilidade em nós e ao nosso redor.

Não basta querer criar a paz no mundo enquanto mantemos em nossa interioridade ou vida individual as energias de conflitos, de segregação, rebelião, rancor ou reinvindicação. Porque tudo se junta e pesa sobre o coletivo. Como dizia Gandhi: "seja a mudança que você quer para o mundo.". Somos?

Portanto, mesmo caso não alcancemos o estado de paz, como quer nosso ideal, não é algo tão grave assim, pois mesmo essas energias de tensões extremas são úteis ao prezo, elas de fato criam um mal estar em nós e isso obriga a nos questionarmos. O cansaço, tal como a depressão, é igualmente um motor poderoso para ressaltar-nos para além do sentimento de injustiça.

O mundo se prepara para uma maior abertura da consciência, ao passo que o enforcamento rígido (Capricórnio) dos valores antigos, das crenças anciãs sobre o amor, o trabalho, a política, o poder, a educação, sobre o que e como tudo isso deve ser feito e etc, tudo o que nos freia e acomoda perante a mutação demandada para a evolução da humanidade (Urano em Áries), e ao mesmo tempo, tudo isso que ocorre inevitavelmente, está se interrompendo sob a ação conjunta de Urano e Plutão em Capricórnio. Isso exige verdade nua, transparência, abrir mão do orgulho e das reinvidicações; um total renascer a partir de um despir completo.

Plutão também destrói em nós as poupanças e cria em nossas vidas pessoais graves perdas: lutos, separações, fracassos. A menos que enfrentemos essas ações antecipando as mudanças (por exemplo, sair de um trabalho assim que sentimos que ele não mais convém e só trás tensões; ou, ainda, fazer o velório de nossas expectativas em uma relação a dois). Plutão se encarrega de nos desprover de tudo aquilo que nos agarramos, conscientes ou não. Tange sobretudo nosso senso de dever, de responsabilidade (Capricórnio), nossa rígida perseverança em seguir os objetivos por ambição, pelo sentimento de dever, segurança e estabilidade, ou em nome das obrigações inventadas para nós em relação com os outros, sob a ameça do sentimento de culpa. Todos esses sistemas vêm à tona, nos causando muito peso e sofrimento, para que enfim possamos abandoná-los em nossas vidas.

Para cada um de nós isso se trata de perguntar-se onde estamos perante nossos valores. Estamos autenticamente a serviço de nosso Ser ou estamos a serviço dos valores menores, que se baseiam no poder de uns sobre os outros, com competição e lucros, e ao mesmo tempo sobre a valorização de si mesmo baseando-nos em esforços, trabalhos e performances? Quanto mais nos apoiamos com apego em valores e ideais do passado, mais nossa vida atualmente parece se afundar sob nossos passos ou diante de nossos olhos, e mais perdemos peso em todos esses domínios.

Ao mesmo tempo, os valores que nos asseguram nos sistemas coletivos estabelecidos irão também colidir inexoravelmente, ao passo que virão à tona o abuso dos bens sociais, as manipulaçōes maquiavélicas para chegar ao poder, a perversidade,  o enriquecimento financeiro pessoal ou o ato de colocar como priopridade valores falsos ou perversos. A educação, a medicina, a política, os bancos, os sindicatos profissionais, a habitação, a ecologia, os modos de pensar, de se comportar e etc, serão chamados a desaparecer para se renovarem totalmente, mas isso se tratará a princípio dentro de nós mesmos. Não devemos mais manter as coisas ali, custe o que custar, mas sim deixá-las partir, morrer e reconstruir o novo no lugar.


Apesar de todas as nossas resistências possíveis referentes ao que nos soa como uma responsabilidade, o avanço é inevitável, pois existem outros fatores que nos ultrapassam: o DNA está em mutação, as gerações jovens chegam com novas bases, talentos e visões diferentes, e o tempo que levam pada aprender é reduzido.


O movimento caminha em direção a Era de Aquário: mais igualdade, solidariedade, respeito pelos outros, empatia e amor. Devemos nos liberar para vivermos de um modo que seja mais conforme nosso ideal: a harmonia, a fraternidade entre os humanos, a simplicidade, a benevolência. Acabemos com o poder e a chantagem,  os laços de força. Para isso devemos derrubar nossos velhos esquemas de desconfiança, nossos medos de sermos enganados ou abusados, nosso desejo incansável de sermos melhores, mais bem posicionados, mais performáticos. Observemos nossos pensamentos antigos e o modo como ainda funcionamos parecendo rígidos robôs. A análise em questão nos é demandada em todos os níveis da vida cotidiana.


Os meios da Lua Cheia:
 A cruz cardinal que exprime a mudança é representada pelas linhas vermelhas que ligam os planetas nos signos de Áries, Libra (eixo da atual Lua Cheia), de Câncer e Capricórnio. Essa configuração é um desafio que dinamiza e porta grandes novidades, relações e iniciativas. Coletivamente e individualmente. Em quais domínios iremos perceber a mudança?


Na vida familiar e doméstica, mas também em nosso interior (Câncer), assim como no poder que obtemos ou excercemos sobre os outros (Capricórnio) e a afirmação de nossas ambições em nossa vida social; tudo o que concerne nossa fragilidade emocional e sentimental (Câncer), tanto quanto nosso hábito de maestrar a outrem a expressão de nossos sentimentos e não manifestar sua delicadeza (ou não mostrar sua fragilidade). Nossa propensão a portar os problemas alheios (Capricórnio) e nossa faculdade de escutar nossas próprias necessidades afetivas ou de consolação (Câncer), quereres que são exarcerbados por Júpiter e a Lua Negra.

Também é um eixo de responsabilidade: sair de nossos comportamentos infantis, por vezes caprichosos, para nos tornarmos adultos estáveis e assumirmos nossas vitórias, assim como nossas perdas e necessidades de recuperação. Temos em mãos a tarefa de nos ocuparmos de nossos próprios problemas e emoções, no silêncio, retiro e maestria (de modo benevolente e dócil). Pois se trata de nossa conexão com a infância, que é passada, mas que deixou seus traços e guarda memórias vivas (Câncer). É nossa ligação com a autoridade (Capricórnio) que excercemos, assim como com a que nos submetemos.

E para o eixo da Lua Cheia, podemos observar as forças de mudanças em nossas relações com os outros, especialmente as que estão num nível de casal ou de associações (Libra), em nossos comportamentos face às escolhas, como nos afirmamos nelas (Áries) e como nos posicionamos - ou não - e com que intensidade (Libra);  na comunicação não-violenta (Libra) ou exarcebada e impulsiva (Áries). Em nossa capacidade de viver de maneira autônoma (Áries) e em nos ocupar, a princípio, de nós mesmos ou sermos dependentes de outros (para agir, lhes servir, conceder prazer). Como sentiremos essas mudanças?
Nessa configuração tão dinâmica tudo depende de nossos funcionamentos habituais. Se o eixo Áries - Libra é muito ativo e mal canalizado (coléra, nervosismo ou implicações excessivas para com os outros) as relações podem se tornar tensas, a afirmação corre risco de causar problemas e as escolhas serão difíceis, pois a impaciência e um sentimento de urgência podem se apoderar de nós, aniquilando toda chance de harmonia.


Isso será exatamente o oposto se já estamos em paz conosco e temos o hábito de fazer escolhas conscientes e centradas, de viver nossa relação com os outros de maneira temperada e autêntica, sem conflitos, na partilha equilibrada dos afazeres, e se somos capazes de exprimirmos nossas opiniões sem guerra nem batalhas egóicas. Então essa cruz mutável aumentará ainda mais nossa consciência, gerando ainda mais tudo isso: harmonia e temperância de escolhas e um posicionamento alegre para com todos (Marte, Lua e Nódulo Norte em Libra), uma autonomia que permite mostrar um novo caminho a cada um que seja desejoso de nos seguir e se revela capaz de compreender essa ligação (Urano e Mercúrio em Áries) assim como comunicá-la por meio de exemplos.

É o exemplo de um alpinista pioneiro que abre uma via de ascensão sobre uma montanha, a qual ainda será seguida por centenas de outros. Ele ousou se singularizar com audácia e dentro de uma certa solidão. É também o exemplo de pais recentes que mostram a seus filhos, por meio de seus próprios comportamentos e sem nada dizer,  como viver de modo amoroso e justo um novo caminho educativo. Assim, cada vez que decidirmos manifestar nossos valores ideais (paz, amor, equilíbrio, beleza, etc) criamos um exemplo e uma irradiação que tocará os outros. Não há nada a ser dito, nada a ser feito para convencer, simplesmente devemos colocar em prática por nós mesmos. E isso bastará para influenciar os que estão por perto!



O que mais:

O trígono de Peixes com Câncer: aceitar o que se apresenta, tanto do exterior quanto de nossos sentimentos íntimos, sem pretensão nem preconceitos. (Netuno e Quíron em Peixes). Seguir nossos sonhos e ideais, mas não se deixar levar pelas brumas da ilusão. Por exemplo, se meu sonho é um mundo de amor onde todos se ajudam e se apreciam, animados pelo espírito da caridade, então coloco em ação  essas coisas belas para mim e em minha vida: aceito pacificamente os eventos e não forço nada, mas não me deixo seduzir, pois sei que nessa dimensão a desordem e a instabilidade também coexistem. Partilho do que tenho, de modo equilibrado, sem excesso, mas me mantenho lúcido sobre o fato de que o outro pode recusar ou não estar de acordo. Em mim, o tempo todo, preservo a paz e os pensamentos que não criam conflitos inúteis ou dilemas interiores, como "ah, adoraria comer um bolo, mas não quero engordar." Ou "adoraria sair com tal pessoa, mas vou recusar para não parecer frívola".



Vejam, observem todo esse sistema de dualidade permanente entre "o que eu desejo" ou "do que necessito" (a escuta de si em Câncer) versus "do que me privo" (a censura abusiva em Capricórnio).


O sextil de Peixes e Capricórnio: trata-se, por exemplo, de colocar em prática o amor incondicional em direção a nós mesmos, a princípio, e de deixar ir embora todas nossas certezas passadas e o poder que excercemos sobre os outros. "Me amo como sou, me autorizo a ser assim e não mais me ocupo do que dirão, nem ligo para expectativas alheias, pois concedo a cada um sua parcela de responsabilidade e liberdade de pensar."

Desejo-lhes uma bela Lua Cheia e lhes envio muito encorajamento para tomar consciência de vossas novas conexões e anseios para atravessar da melhor maneira esse intenso e transformador período.

Michka

Fonte:

2.4.14

Lua Nova em Áries



30 de março de 2014


Boa noite a todos, e bem vindos a essa primeira Lua Nova do ciclo zodiacal!


O que nos trás a energia de Áries durante essa lunação?


Muitos entre vocês o sabem, o Ano Novo não é verdadeiramente em 1º de Janeiro, e sim no dia do equinócio de primaveira/outono, pois é este o aniversário solar, quando o Sol entra a 0 graus de Áries (de acordo com a astrologia geocêntrica) e surge abaixo do equador. É o começo do ciclo das quatro estações.


Eis, portanto, o que caracteriza a Lua Nova em Áries: a energia do fogo, o desejo de se colocar em ação. Trata-se de uma energia de impulso, iniciativa, começo. Porque a Lua Nova é igualmente um momento de início, é um período para elaborarmos projetos e nos deixarmos mover pela intuição e lançamento espontâneo que nos anima.


Isso dito, o céu que se mostra é um pouco tenso, salvo se aceitamos velar e guardar permanentemente a harmonia interior, a qual supõe nossa vigilância. É questão de bastante interiorização e de privilegiar a calma ao observar os pensamentos e os sentimentos que nos atravessam, a fim de assinalar os problemas discordantes e lhes remediar. Como é Marte quem governa a Lua Nova em Áries, e que está retrógrado em Libra, é elementar aceitar que o gás que nos atravessa não poderá forçamente ser queimado ou posto em ação rápida e espontaneamente. Nossa impaciência por avançar, típica de Áries, pode ser levada a mal pela reflexão a qual propõe Libra, com um período de negociação, de compromisso, e, ainda mais, devido a lentidão da energia marciana quando o planeta está retrógrado.


Portanto, Marte, que é o planeta que permite que nos afirmemos e nos exteriorizemos, tem sua energia temporiariamente canalizada para o interior, desviada de suas implicações ativas e jogada ao desacelerar. O interesse aqui é de refletir primeiramente acerca do que fizemos anteriormente, principalmente sobre ações e experiências que não nos trouxeram harmonia. Pelo menos a retrogradação de Marte permite que observemos como podemos agir da próxima vez dentro de circusntâncias semelhantes, a fim de sentir a temperatura de nosso avanço. É, portanto, um tempo de elaboração de projetos, mais do que de concretização. E um momento de obter uma visão retrospectiva.


Mal interpretada, a impaciência por não avançar produz o efeito inverso daquilo que esperamos, pois não tomamos o tempo de escutar nossas irritabilidades ou frustrações; Marte (que ainda e sempre possui uma energia masculina e é o astro do dinamismo e do desejo) retorna sua energia contra nós e a lança a nosso encontro: podemos nos irritar, sofrer de doenças (e geralmente de doenças ligadas ao fogo: queimaduras, dores de cabeça, inflamações) ou sofrermos pequenos acidentes, mesmo que fiquemos pouco tempo expostos às vulnerabilidades desse plano. Aqui não mais, nenhuma fatalidade, apenas a ocasião de nos dizermos "chega!" e prosseguir com mais temperância e de retorno a paz interior (Marte está em Libra, o signo da harmonia e do equilíbrio.)


Se trata de não fazermos corpo mole perante as novas atividades talvez muito agressivas ou exigentes de uma despensa física mais prolongada e vigorosa. Não é mais um momento de querer "mudar tudo" ou de empreender em grandes coisas, mesmo se Marte agita o interior de nós todos e impulsiona esse desejo. Aguardemos pacientemente que ele volte ao movimento direto para que nos aventuremos em novos lançamentos.


Embora o espírito pioneiro de Urano em Áries igualmente nos agite, ao passo que está em conjunção com a Lua Nova, é claramente preferível guardar nossas energias para mais tarde e passar um tempo na elaboração e preparação dos atos futuros. O período de retrogradação dura a cada ano cerca de 80 dias, começou em 2 de março de 2014 e terminará em 20 de maio. O conselho é, portanto, de não adotar comportamentos impulsivos durante esse longo período, de não procurar conflito, privilegiar o tempo, a calma, a prudência e a tranquilidade. Guardemos o equilíbrio em todas as coisas. Isso se confirma pela oposição do Nódulo Sul em Áries (e seus excessos todo fogo queima) com Marte.


Sobre o plano evolutivo, a mensagem é igualmente que esse período de Lua Nova em Áries deve nos ensinar a canalizar nossa energia fogosa e audaciosa ao tomarmos conta dos outros, e ao tomarmos consciência de nosso orgulho para nos desapegarmos de vez desse ego tão presente. O objetivo final é mostrar um exemplo diferente, baseado na ação a partir do coração (sextil com a Lua Negra em Leão) e não para sermos reconhecidos ou aprovados e nos tornarmos os mestres, os « Carneiros do bando », no sentido verdadeiro e nobre do termo.


O trígono de Marte em Libra e Vênus em Aquário sustenta uma colaboração com os outros, principalmente baseada sobre a simplicidade e neutralidade, amizade e fraternidade. Isso nos ajuda amorosamente a olhar bem nossas intenções e motivações interiores, a re-examinarmos sobretudo o que gera em nós a vontade de decidir, avançar e empreender, de tudo jardinarmos, e, portanto que o momento é ainda de sabedoria, meditação e introspecção.


Saturno em Escorpião está igualmente retrógrado, e, portanto, reforça esse convite de dar o tempo ao tempo, a fim de nos mantermos dentro de nossos sentimentos. Ainda mais que de costume, Saturno nos pede que nos enquadremos, nos enraizemos interiormente e nos coloquemos sobre a estabilidade, sobre a dureza. Nos propõe que observemos quais são nossas buscas e nossos condicinamentos notavelmente dentro do domínio dos sentimentos e dentro da gestão de nossas emoções (Escorpião) e de apará-los radicalmente, a fim de os redefinir de forma consciente. Escorpião é a profundidade de nossa psique e é o que mais há de ancorado em nós, em relação com a morte, sexualidade e emoções conturbadas. Uma boa ocasião de nos inclinarmos sobre esses assuntos para lhes tratar se necessário, de verificarmos se agirmos por amor e se nossas relações são autênticas, se não tentamos seduzir para sermos amados (quadratura de Saturno em Escorpião com Lua Negra em Leão), nem tentamos colocar nossos ideais sociais como prioridade para que todos nos apreciem (quadratura de Saturno em Escorpião).


Os comportamentos mais adaptados são aqueles que nos fazem bem, não pelo egoísmo, mas porque fazem com que a vida seja fluída e simples, geram harmonia no nosso cotidiano, sem tensões, dualidades, nem interdita o interior e porque é algo que irradia para além de nós, em nossas relações e em nossa disposição por ouvir o outro. A responsabilidade das emoções ressentidas pelos outros os pertence, e não devemos mais nos sentir culpados se paramos de funcionar sob o sistema ancião onde a felicidade do outro era nosso único propósito. Altruísmo é amar o próximo, sem condiçōes, e não tomar decisões em seu lugar ou tentar evitar os buracos de suas escolhas.


Essas são as escolhas que nos propõe este dinâmico céu, ao passo que a compaixão sem limites de Netuno em Peixes, aliada a compreensão intuitiva e sensível de Mercúrio em Peixes, permitem fazer reinar em nossa vida o sentimento de amor total e incondicional, sem cair sob as armadilhas da vítima ou do salvador. Ver o sofrimento de outrem e do mundo e lhe acolher, mas não os tomar pra si ou tentar modificá-los. Mostrar um caminho de paz sem forçar alguém a segui-lo, sem estabelecer laços de força, ou se crer detentor da verdade, tais são os desafios desse momento em particular.


Lhes desejo uma bela e boa Lua Nova, e me alegrarei, como sempre, de ler os depoimentos e comentários que vocês queiram deixar no site. Até muito em breve!




Michka





- Fonte:
http://www.vers-la-lumiere.fr/

24.3.14



Ruídos em ruínas,
Cacos de caos.


Trapos traçando
Rabiscos, rasuras.


Sonhos sonâmbulos,
Pesadelos pesarosos.


Solidão na multidão,
Desespero na espera.


Who knows?
Not me.

19.3.14

Lua em Virgem - 16 de março de 2014



Bem vindos, meus amigos, a esse domingo de Lua Cheia em Virgem. A oposição Lua em Virgem e Sol em Peixes é a oposição entre o concreto e o imaterial: o que me parece mais forte nesse momento é a tomada de consciência de nossos limites humanos e materiais, como se ficássemos face a face com aquilo que é certo na Terra (Virgem), visível, real e palpável, e o que está no Céu (Peixes), invisível, porém aberto, grandioso, ilimitado e insondável. Veremos como essa oposição pode se tornar rica em ensinamentos.




Essa constatação pode, entretanto, ser desagradável, caso tenhamos o hábito de "planar" em nosso mundo interior ideal e um pouco confuso, e sejamos obrigados a "descer" para o concreto e viver uma situação que não é a que sonhamos. Isso pode, ao contrário, se tornar um momento muito abstrato e nos desnortear, caso tenhamos hábitos limitados, quadrados e assegurados pela rotina, aos quais a experiência proposta está além de nosso conhecimento, e vem solicitar-nos fé dentro de uma total perda do controle da situação.




Eis um exemplo (a busca de um grande amor ou de nossa alma gêmea) que mostra que assim que esquecemos nossa "natureza humana" somos confrontados com a desilusão, mas também, em outro sentido, conforme estamos preparados para largar tantas raízes materiais, podemos nos abrir para o "maravilhoso". Escolhi a busca do amor grandioso que não tem idade nem cor, cada um de nós sabe o que isso quer dizer, pois é a busca por ser amado.




Assim que imaginamos esse amor imenso que vem iluminar nossa vida de um modo maravilhoso, de acordo com aquele que sonhamos quando éramos criancinhas, ao passo que o projetamos para o outro nossas atenções com força (os Peixes em nós podem ser verdadeiros ditadores que se ignoram!), não mais compomos algo com o outro, mas bem ao contrário, nós o negamos. Tenhamos lhe aureolado, colocado em um pedestal e divinizado, ou tenhamos não o visto como ele é. A Vida, que é sábia, nos mostra, particularmente nesse momento, aquilo que não nos integra na experiência.




A Lua Cheia nos faz ver o lado mais frustrante, que nos limita, nos enfia os pés na terra (Virgem). Mesmo que não encontremos esse amor maravilhoso em nenhum lugar, nenhuma alma gêmea a vista, nunca a "pessoa correta"; ou ainda que aquela pessoa que consideramos com certeza ser nosso príncipe ou princesa se torne o objeto de todo nosso sofrimento, devido a nossa vida nos obrigar a ficar nos limites do "possível". Ou ainda, acreditamos ter encontrado o amor, mas conforme avançamos na relação nossas descobertas se revelam decepcionadoras: ele ou ela não são mais que seres humanos, não um anjo como acreditávamos. Existem virtudes, é certo, mas também defeitos terrestres que não amamos! Eis aqui uma iluminação dessa Lua Cheia para adquirir ou guardar o senso das realidades.




Mas, de um modo genial, isso também funciona em outro sentido, e essa face-a-face de Peixes com Virgem é uma perfeita fonte de elevação, abertura e evolução. Quando estamos reservados, fechados, e seguros de que ninguém pode vir nos trazer qualquer amor que seja, que corresponda a nossos critérios restritivos (Virgem em nós é bem quadrado e decidido que as coisas devem ser assim ou assado, e não de outro modo!), a Vida, que é benevolente, nos faz crer que alguém é muito bondoso mas não nos atrairia, não condiz com nossos critérios, mas nos inspira pois é bom, amoroso e tão devotados, que não podemos resistir.

O mesmo vale para todos os planos de nossa vida (a relação com o dinheiro, com o trabalho, com a saúde), mas então nos deparamos com a escolha: queremos continuar doentes em nossos Virgens pragmáticos, hiper-maníacos, hipocondríacos, sem querermos nos prender a nada que não seja relacionado a experiência concreta e deixar passar a abertura benéfica que se apresenta? Desejamos ficar em nosso sonho do paraíso perdido (Peixes), nossa espera irrealista de algo distante ou de um porvir mais sorridente e sonhador, sonhar e sonhar sem se dar conta da situação que ali está em nossa frente, de criar na matéria, no cotidiano, passo a passo, na densidade, no concreto, a magnífica experiência do maravilhoso?




Em ambos os casos há um equilíbrio a conquistar e essa Lua cheia nos ilumina. Pode ser que já tenhamos consciência dessa oposição de Virgem-Peixes mas nós navigamos entre o deixar-pra-lá (Peixes) esses momentos onde reprimimos um controle feroz (Virgem) ou bem o contrário. Esse momento, portanto, nos esclarece em nossas ausências de limites sobreviventes de comportamentos de restrições e frustrações. Só as tomadas de consciência acabam por deixar tudo isso enriquecedor.




Um exemplo concreto: quando sou tomada por um espírito puro estou dentro de uma abertura máxima e correta do coração, mas dou, sem me dar conta, todo o espaço para meu Ego espiritual (aquela parte de mim que crê poder ser amada ao se devotar a outrem e se mostrar magnífica, venha o que vier). Nesse caso, reencontro rapidamente com alguém que vai se aproveitar de meus grandes sentimentos e me aniquilar materialmente, me tomar uma grande parcela de tempo ou abusar-me sentimentalmente. E no que me concerne, fato feito, agradeço a todos que tenham me iludido ou invadido, pois me ensinaram, no mais nobre sentido do termo, a não esquecer que doar minha confiança e energia sem restrições abrange o risco de me embarcar (Peixes) além dos limites do que para mim é racional (Virgem).




Júpiter em Câncer continua nos relembrando do passado e nos permitindo contacta-lo por meio de sonhos noturnos, lembranças ou imagens mentais que nos atravessam, ou até mesmo por situações que se repetem de modo recorrente. O que há de mais enriquecedor nessa oposição é nos relembrarmos de todas as outras vezes onde deixamos vir essa situação, em outros lugares ou com outras pessoas.



Câncer trata da memória, do passado enraizado em nossa mais tenra infância dentro dos condicionamentos precisos, ligados ao afetivo. Retomando meu exemplo, quando eu era pequenininha, na escola, era "gentil" e emprestava a todos meus amigos tudo o que precisavam, tudo que eu tivesse na mochila (lápis, borracha, giz) até que fui repreendida quando a professora percebeu que não sobrou nada pra mim.

Vejamos, portanto, que aquilo que nós repetimos desde sempre em nossas vidas, como comportamentos que ainda não soubemos nos livrar totalmente. Gratidão a Júpiter em Câncer por nos refrescar a memória!




O mais doloroso será se afastar disso, pois isso gerará nostalgia (Ah! Como "antigamente" era bom!) ou nos trará conclusões que nos fará nos proteger demais (aquilo que o mundo nos propõe é deveras "malvado" ou "perigoso"). Portanto, a Lua Cheia, auxiliada pelos outros planetas, nos permite aumentar ainda mais a consciência.




Esse eixo de Vênus e Peixes é uma perfeita ilustração do ladrão e o roubado, da vítima e do carrasco: toda nossa dimensão irrealista que quer o mundo através de lunetas cor-de-rosa é posta em xeque quando somos arrastados por um ladrão em uma motocicleta. Não, não vivemos em uma esfera da existência onde "todo mundo é belo, todo mundo é gentil", mas tampouco este mundo é "podre". Esse tipo de história nos faz recordar que viemos explorar as energias baixas da densidade terrestre e que é necessário se manter acordado e vigilante. Porém podemos, uma vez centrados em nosso próprio discernimento e sabedoria, viver o sonho do amor incondicional.




Acusar os outros, o mundo, o governo, o clima, tudo isso é em vão, é somente um modo de nos roubar a nossa parte individual de responsabilidade. A expressão "varrer a própria porta", que significa "se ocupar de nossos afazeres" é bastante relacionada às energias de Virgem, e trata-se de fazer a faxina de si mesmo, de ser metódico com vista a melhorar nossa clareza de espírito, limpar as zonas bagunçadas. Conforme projetamos ao exterior e ao outro uma "falha", fugimos de nosso próprio engajamento de explorador consciente de nossa própria vida. Isso também pode ser rejeitar, de modo errôneo, uma crítica que é injusta, pois o outro também fez o seu melhor e todo mundo caminha como pode.




Ao contrário, quanto mais observamos o conjunto da situação ou da relação com um espírito de compreensão e um sentimento de compaixão, sem julgamento (Netuno em Peixes aceita as coisas do jeito que elas vem), mais tiraremos de nossa experiência aprendizados sobre o que é o melhor para a humanidade e nosso próprio Espírito se enriquecerá com novas lições, novos saberes. Ao mesmo tempo, o Outro se torna um sutil amigo nesse sutil caminho de vida, pois ele nos ensina graças ao que faz e diz. E o mundo se transforma em nosso espelho consciente.




É o que nos propõe Mercúrio em Aquário: retirar de tudo o que vivemos no agora um conceito mais global e menos emocional, ao extrair um princípio novo e evolutivo, original e fora das ideias prontas que temos empregado até então, uma visão mais humanista, que abarca a natureza humana de todos. Mercúrio em Aquário nos trás a seguinte mensagem: "Pensemos na humanidade como aquilo que nos reune e nos liga uns aos outros.".




Se fizermos isso seremos sustentados por Marte em Libra (trígono de Mercúrio e Marte), que sugere temporizar, harmonizar, nos realinhar à maravilha de uma atitude nova propícia a atual evolução. Marte em Libra permite que as situações e relações se equilibrem para melhor, dentro da paz, e que as mudanças se façam com doçura.




Esse mesmo desafio é proposto também devido ao eixo dos nódulos lunares: Marte rege o Nódulo Sul em Áries (tomada de novas iniciativas, novos passos, ousar empreender uma inédita forma de caminhar) e Vênus no Nódulo Norte, em Libra (tomar escolhas que sejam justas para nós mesmos). Um conselho desse eixo pode ser de que façamos parte das coisas, que pesemos os prós e contras, que pensemos em agir para nós mesmos (Áries nos auxilia a nos afirmarmos), mas respeitando os outros (Libra permite o altruísmo). Esse eixo ficará por muitos meses e o veremos cada vez de uma forma subentendida.




Vênus em Aquário nos sopra anseios de autonomia e facilita esse lançamento de auto-expressão, nos fazendo cientes dos outros, mas com um certo distanciamento, pois não nos mergulha na hiperemotividade, e nos auxilia no desapego. Ofender nossos velhos dogmas, chorar quando os outros choram, não é necessariamente a melhor forma de amar.




Vênus, assim localizada, sustenta Urano em Áries, portanto todos nós sabemos que isso é um elevador de consciência, pois Urano é o planeta que faz o mundo tremer nesse momento em direção a um futuro totalmente inédito, é o pioneiro de nosso próprio mapa e o aspecto em nós que deseja se tornar único, que é genial, original e que está na origem das coisas jamais conhecidas ou experimentadas. Sim, todos temos isso em nosso Mapa Astral, e é bom que saibamos e ousemos seguí-lo sem temer os olhares alheios.




A quadratura de Urano em Áries com Plutão em Capricórnio sempre provoca abertura, e, mesmo se isso não é algo muito exato do ponto de vista astrológico, sempre está ativo em sua simbologia e somos sempre desafiados a nos desfazer de nossas antigas mentalidades. Mesmo que já tenhamos arquivado bastante e sacrificado um monte de nossas crenças, feito um pent fino de nossos comportamentos anciãos, ainda não tivemos o lazer de repousar aobre nossos lírios. Plutão em Capricórnio vela com sagacidade e pode ainda ser feroz contra nós se nos suspemdermos sobre nossos próprios medos e partes rígidas. Pois Plutão é como um sobrevivente perspicaz que não nos abandona, espera que todos nós nos tornemos de acordo com nossa natureza divina, ao domesticar um ego que se satisfaz na ilusão e no narcisismo. Os meios de Plutão são exigentes, por vezes cruéis, se resistimos, e podem nos amputar de modo terrível, atacando aquilo que mais temos no coração e ao qual justamente mais nos apegamos: um lugar de viver, um jeito de ser nas relações, nosso dinheiro, nossa reputação, nossos valores, hábitos, saúde, a vida dos nossos próximos... Plutão não tem pena, é o reflexo de nossa autenticidade e pede que sejamos honestos e desprovidos de luxúria, de ciúmes, de tentativas de manipulações.




Lua Negra em Câncer: Mesmo se tivermos medo e um sentimento de insegurança pairar em nós, que pode jorrar de modo compulsivo, teremos a escolha de nos concentrar e reencontrar em nossa força interior a certeza de uma boa raíz e de auto-proteção suficientes. Trata-se de aumentar a sabedoria, de tomar conta de si mesmo sem nos adoecer (ruminações excessivas, rancores, mente vingativa, nostalgias de infância...) e sem nos super-proteger.




Abrigamos uma parte vulnerável e séria que nos pede ajuda e razão adulta, sabedoria de pessoa madura e responsável. Mas não caiamos nem no excesso de dureza ("não devemos nos escutar"), nem na fulga de nossas sensibilidades ("vai passar por si só") sob pretextos de nos tornarmos "seres responsáveis". Plutão não irá mais admitir isso, pois é o encarregado de trazer todo o peso do mundo e o esquecer.

Não dá mais para carregar nossa própria bagagem, e durante essa Lua Cheia nos será proposto de modo inspirado (Sol em Peixes) que façamos a escolha (Lua em Virgem) daquilo que nos é mais útil e que pode passar a escotilha.




Mais concretamente, mesmo em nossas velhas vidas de todos os dias, já existe paralelamente na atmosfera do momento, a ideia de uma boa faxina de outono, que podemos sentir como uma vontade de fazer a faxina, de esvaziar nossos armários para jogar fora, doar, reciclar todas as nossas coisas velhas e de limpar as gavetas? Sim! Então significa que estamos dentro da energia dos planetas!




Lhes desejo que aproveitem ao máximo essa última Lua Cheia do ciclo, para fazer um balanço do que queremos guardar a fim de semear a partir do equinócio de outono os grãos de um futuro que nos inspira no agora.




Michka