31.1.14

Retratos canhotos

Só guardando na gaveta...


Três semi-caricaturas-canhotas póstumas que fiz de três personalidades personificadas que me são pessoalmente especiais:






Lua Nova em Aquário






Texto original aqui

30 de janeiro de 2014




Bem vindos, queridos amigos, a esse novo ciclo lunar em Aquário. Essa energia aérea nos diz, acima de tudo, acerca dos pensamentos, das ideias, dos sonhos, dos ideais e dos desejos de reformas, assim como sobre nossa ligação com a humanidade. Ao mesmo tempo, ela inspira em nós um impulso de independência e liberdade, por vezes de rebelião, mas em todo caso uma vontade de sair das normas e escapar das trilhas já conhecidas. De acordo com o seror de nosso mapa astral e os planetas que estão em Aquário, saberemos em quais domínios de nossa vida a experiência será privilegiada ao usar os impulsos desta Lua Nova. Podemos contar com nossa inteligência e capacidade de comunicarmo-nos com os outros, desde que resolvamos nossos problemas de auto-estima (em Leão, signo oposto) e amarmos os outros de maneira neutra, sem projeção. Caso contrário, cuidado com as ondas de Aquário, que geram montanhas-russas mentais! De qualquer modo, é um momento para revisar o amor universal, verificar nosso altruísmo real e sobretudo nosso sentimento de fraternidade com relação aos outros. A grande qualidade dessa energia aquariana é de poder conceitualizar, ou seja, colocar as coisas em "abstração" e assim, por exemplo, compreender o outro sem ser afetado emocionalmente por seus problemas. É um signo de amizade e de humanidade que nos religa, contanto que nos abramos à ideia de progresso social e de solidariedade.


Essa Lua Nova em Aquário permite semear as ideias inovadoras ou inéditas em nossas vidas, com um sopro de autonomia e originalidade. Urano em Áries, que governa esse signo, nos proporciona a abertura das portas em direção a experiências ainda jamais realizadas, ou a modos de fazer que não são habituais. É um bom momento para refletir acerca de nossos ideais, mesmo que Aquário não seja uma energia de passagem à ação, as coisas podem se elaborar em nossa concepção e nossos projetos podem agora nascer nos pensamentos. Ademais, daqui há duas semanas, assim que a Lua estiver cheia, em Leão, seremos ainda mais capazes de seguir nossas intuições e criar de acordo com nossos impulsos cardíacos.


Nossas grandes ideologias (como o amor universal, a igualdade, a justiça social) correm risco de serem testadas durante essa lunação em Aquário, pois nem sempre nossa prática condiz com nossas belas palavras teóricas, e pode até mesmo ser difícil para nós concretizarmos nossas vontades de mudanças. Aquário é uma energia contrastante, com altos e baixos, que pode nos agitar mentalmente e revelar nossas contradições extremas. A Lua Nova em Aquário pode ser exatamente de humor "versátil" e nós podemos viver uma instabilidade, assim como uma agitação mental com algumas surpresas, imprevistos e imponderações, que, de acordo com nosso estado de humor do momento, poderão perturbar nossas situações e nos inquietar, ou, ao contrário, atrair-nos para seu lado totalmente imprevisto.


Mas, apesar de tudo é uma energia que porta renovação e liberação, contanto que não nos fechemos dentro de nossas ideias pré-concebidas. De fato, em Aquário existe a fidelidade e a fixidez, e uma vez que não estejamos satisfeitos com o que a tradição nos demanda que perpetuemos, podemos manifestar sobretudo uma rebelião, deixando de dar atenção aos outros, o que pode fazer que passemos por frios e impessoais, ou até mesmo distantes, ainda que nossa aspiração seja geralmente amigável e fraternal. O desapego deve ser dosado.


O que nos ajudará nessa caminhada é Marte em Libra, mediador por excelência que não se desestabiliza por nada, nesse momento precisamente. Sua orientação é de harmonizar, de equilibrar e de pacificar nossa vida. Marte permite decidir o "meio justo" e a justiça da escolha (em função das leis universais, e não de cálculos em dados detalhados). É toda a noção de busca por equanimidade e igualdade, seja qual for o domínio: temporizar, colocar água no vinho, aceitar o ponto de vista ou a necessidade de outro, sabendo, contudo, escutar nossa voz interior. Libra é um signo que nos une ou nos une ou nos coloca face a outrém, e o caminho da sabedoria em Libra é a aceitação de fazer as escolhas inspiradas e boas pra nós, afim de radiar nossa luz dentro da harmonia, e de enlaçar relações pacíficas. Ouvir a si mesmo não é ser egoísta, se é melhor deixar fluir o amor que circula em nós e nos nutrir para compartilhá-lo com outros.


Os eventuais pesos de prós e contras de Marte em Libra podem ser motivados pela decisão de buscar equilíbrio, seja entre nós mesmos e os outros, seja dentro de nossa personalidade, entre nosso pensamento racional e nossos sentimentos.


Vênus em Capricórnio rege Libra e portanto governa Marte, podemos dizer que está ali para guiá-lo e inspirá-lo. Vênus exprime nosso desejo e aquilo que amamos, e envia à Marte suas "instruções" para que as escutemos: em Capricórnio, ela se impregna de sabedoria, de reserva, do senso de responsabilidade, assim comp de um gosto verdadeiro pela autenticidade e profundidade (está em conjunção com Plutão) e dita as escolhas mais sérias. Marte sob o influxo de Vênus pode, portanto, nos fazer agir com essa opção de responsabilidade que por vezes pode ser vivida com um sentimento um pouco pesado de obrigação ou de estagnação. O objetivo de Vênus/Marte aqui é nos afirmar e nos moderar nas energias mais estáveis, com uma aspiração à fidelidade, à permanência, à solidez (dentro de nossos interesses e do interesse de todos).


Mercúrio em Aquário dá suporte às nossas ideias de vanguarda e nossa mente inventiva, e logo entrará em Peixes, no decorrer desse ciclo, nos propocionando então soltar a razão pela intuição.


A Lua em Aquário rege um Júpiter em Câncer emotivo, sensível e voltado ao passado. Nostalgia ou ressentimentos podem ainda retornar à nossa memória afetiva, nos deixando vulneráveis ao medo, ainda que a Lua Negra real em Leão revele nossas necessidades de reconhecimento e aticem nossas feridas de rejeição ou nosso sentimento de sermos indignos de amor. Uma vez compreendida e acolhida nossa dor, tentemos deixá-la passar, esquecer nossas expectativas egoístas de amor. Nós temos a chance de retornarmos ainda mais em direção à sensibilidade doce e terna de Câncer para sermos mais receptivos e colocar nossa sensibilidade a serviço da escuta e da hospitalidade que oferecemos aos outros.


A Lua Nova em Aquário é um famoso momento para nos desapegarmos de nosso "euzinho" que se sente sempre ofendido por não ter sido reconhecido por seu valor justo, e temos aqui um recurso poderoso para nos virar ainda mais para os outros, ao invés de continuarmos a observar nosso pequeno umbigo. Olhemos ao redor e nos sentiremos menos sós, mais religados uns aos outros, privilegiemos a amizade, a solidariedade, e o espírito de fraternidade em detrimento de nossas pequenas satisfações individuais


Isso não quer dizer não curtir a abundância da vida, isso significa guardar gratidão por tudo e por todos, saber praticar a troca dentro do dar e receber de maneira equivalente.


Eis aqui o belo programa que nos propões essa Lua Nova e os planetas que iluminam nosso céu com suas energias de transformação, seja qual for o tumulto e o caos exterior.


Aquário é o portador d'água que derrama o conhecimento sobre o mundo, tem um papel de guia para os outros, assim que rocam em sua sabedoria divina. A mensagem dessa lunação poderá enfim ser essa: sejamos os pioneiros que semeiam o amor universal e o novo conhecimento, ao ousar sair com audácia e coragem de nossos antigos condicionamentos!


Eu desejo à todos uma bela Lua Nova e fico feliz de ler seus depoimentos e comentários.


Michka






27.1.14

Manifesto Verde

Se passo em frente a um sebo, não hesito em adentrar, sei que há sempre um tesouro valioso e de baixo custo a encontrar... Hoje havia um sebo no decorrer do passeio, e uma prateleira indicando 3 reais por qualquer um dos exemplares ali expostos... Olhei, olhei, com a cabeça tombada daquele jeito típico de quem lê os títulos... E eis que um pequenino livro, intitulado "Manifesto Verde" me gritou a atenção. O autor, Ignácio de Loyola Brandão, me lembrou na hora uma série do Ensino Fundamental onde tive o prazer de conhecê-lo.
Peguei o livrinho, capa dura, uma silhueta de árvore, toda branca, cobrindo toda a fronte. Abri. Desenhos bonitos em nanquim, de cenas não bonitas, como um peixe nadando perto de uma latinha ou um pássaro pousado em cima de um machado fincado num tronco desmatado.
Comprei o tesouro e devorei suas cinquenta páginas no tempo que passei dentro do ônibus. Se trata de uma carta, que o autor escreveu em 1985 para seus dois filhos, então adolescentes, alertando-os acerca das depravações humanas para com a natureza e a necessidade iminente de fazer algo contra isso e a favor da vida.
Bom, quase duas décadas depois os impasses persistem, mas que a esperança de uma reviravolta não morra!


Copio aqui um trechinho, que achei bonito e interessante:

"As árvores, meus meninos, desde o início do mundo tiveram o mais importante dos sentidos: o de representar a vida. Alguns povos da Antiguidade escolhiam algumas espécies, tornando-as sagradas. Como o carvalho para os celtas, a figueira para os indianos, a tília para os alemães. Associações entre deuses e árvores são frequentes na mitologia: Júpiter e o carvalho, Osíris e o cedro, para citar somente dois. A árvore, segundo Cirlot, especialista em simbologia, significa a vida inexaurível e
engloba os processos generativo e regenerativo, sendo portanto o espelho da imortalidade. A árvore é o eixo do mundo, ela faz ligação (raízes) entre o negror das trevas do caos profundo e a luz (galhos e folhas para cima), o céu."


18.1.14

Chacoalhando tabus

O ônibus corria e chacoalhava, o vento adentrava, início de tarde ensolarada em mais um sábado de férias. Eu estava lá atrás, naquele banco do meio, que chacoalha mais. Meus vizinhos da esquerda consistiam em um garoto de não mais que dez anos no assento da janela, e uma jovem moça, que pelo diálogo descobri ser sua mãe:
- Mamãe, aquilo ali são as casas dos mortos?
- É... é o cemitério...
- Nossa, nunca vi tanta gente morta na minha vida...
(Sem respostas ou comentários, prossegue:)
- Como é que vou saber quando vou morrer também?
- Não fica falando dessas coisas, filho...

17.1.14

Metafísica do Fígado – Emoções




Quando falamos no fígado, do ponto de vista energético, estamos falando do fígado propriamente, da vesícula biliar, dos olhos, dos ombros, dos joelhos, dos tendões, das unhas, dos seios, e todo o aparelho reprodutor feminino, desde ovários, trompas, útero e vagina. Por esse motivo, na MTC (medicina chinesa) se diz que o fígado é o órgão mais importante para a mulher, assim como o rim é para o homem.

A energia do fígado é responsável por manter o livre fluxo da energia total do corpo. Como o movimento do sangue segue o movimento da energia, dizemos que o fígado direciona a circulação do sangue e regula também o ciclo menstrual. Mas o papel mais importante, sem dúvida é sobre o equilíbrio emocional, é a energia do fígado quem vai nos fazer responder a todos os estímulos emocionais, 24 horas por dia sem parar; daí já se deduz o desgaste intenso ao qual é submetido este sistema, e pouquíssimas atitudes são tomadas para auxiliar o fígado nesta tarefa, pelo contrário a nossa cultura parece fazer tudo para impedir o equilíbrio. Como todas as emoções boas ou más passam pelo fígado, não devemos reprimi-las a todo momento. A repressão das emoções provoca um bloqueio da energia que vai levar à formação de calor no fígado. Este desequilíbrio energético pode se manifestar de várias formas. Dependendo da sua localização, podemos ter uma insônia, uma enxaqueca, uma precordialgia, uma hipertensão, uma gastrite, uma tensão pré menstrual, e por aí vai.


Os adoecimentos podem ser de dois tipos, por falta ou por excesso de energia, ou usando um termo mais técnico, por vazio ou plenitude. Em relação às emoções que lesam mais especificamente o fígado vamos ter, num quadro de plenitude, a raiva, mais exatamente a raiva reprimida e, num quadro de vazio, o pânico, que agora virou síndrome de pânico. Cabe aqui fazermos uma distinção entre sentimento e emoção. Os sentimentos geralmente fortalecem os órgãos e servem como mecanismos de defesa para o nosso organismo. Por exemplo, uma sensação de apreensão é diferente do medo. A primeira nos coloca num estado de alerta diante de uma certa situação, sem nos limitar em nada, nos protegendo dos perigos. O medo por sua vez nos limita e nos paralisa. A mesma coisa em relação a uma certa irritação que nos leva a reagir quando somos atacados ou nos sentimos lesados, que é diferente da raiva que tem um grau mais intenso. O importante é entender que todos os sentimentos atuam bem no organismo, tudo depende da intensidade e por quanto tempo.

Da mesma forma que o sal, o orégano e a pimenta são temperos usados na alimentação, os sentimentos são o tempero da nossa existência. A qualidade de nossa vida dependerá da quantidade e da forma com que serão usados.

Como já foi dito, o fígado rege praticamente todo o sistema reprodutor feminino e é responsável por alterações no seu funcionamento que vão desde alterações no ciclo menstrual, os cistos de ovário, miomas uterinos, corrimentos vaginais, prurido vaginal, alterações da libido, como frigidez e impotência. Em algumas doenças só a energia do fígado está em desarmonia, e em outras existe também desequilíbrio de outros órgãos.

O fígado rege as articulações do ombro e joelhos e também os tendões de modo geral. Assim sendo, as bursites e as dores nos joelhos sem causa aparente, são sinais de comprometimento da energia do fígado. As tendinites e os estiramentos freqüentes também estão neste grupo.

Os olhos são a manifestação externa do fígado, e suas patologias também vão nos indicar algumas alterações no fígado, as mais comuns são as conjuntivites, os olhos vermelhos sem processo inflamatório, os terçóis, os pontos brilhantes que aparecem no campo visual e outros.

As unhas são outra manifestação externa das condições do fígado, e as suas deformidades ou a presença de micose vão nos sugerir algum comprometimento na estrutura yin do fígado, ou desequilíbrio prolongado da energia do fígado.

Para concluir, o fígado comanda o funcionamento do sistema nervoso e é o responsável pelas alterações funcionais como as várias formas de epilepsia, as alterações no raciocínio, os desmaios e as perdas de consciência de modo geral, e as doenças degenerativas como o Parkinson.

Todo órgão está acoplado a uma víscera que, no caso do fígado, é a vesícula biliar, que em geral tem um papel secundário para o funcionamento do sistema. Resumidamente, a vesícula atua mantendo o nosso equilíbrio postural. Todos os quadros de tonturas, vertigens, labirintites estão ligados a ela. Rege a articulação têmporo-mandibular (ATM). Todas as tensões que ficaram retidas no fígado podem descarregar nesta região e produzir um quadro de ranger os dentes (bruxismo), que se manifesta mais freqüentemente durante o sono. A nível emocional a vesícula biliar comanda o nosso processo de decisão, e seus desequilíbrios vão se apresentar na forma de indecisões ou mesmo desorientações, perda de rumo.

A lágrima é a secreção interna que ajuda a aliviar o fígado. Deste fato vem a importância de não se reprimir o choro, embora nem sempre seja conveniente socialmente. Mas, pode acreditar,conter o choro faz mal à saúde.

Agora que já temos uma idéia de como é estar com a energia do fígado desequilibrada, vamos fazer alguma coisa para ajudar. O mais importante é a harmonia das emoções, isto é, as emoções não devem ser reprimidas. Nós devemos senti-las e deixá-las fluir, evitando o apego emocional. Depois, evitar os medicamentos químicos, as bebidas alcoólicas, os temperos picantes, se não puder evitar, usá-los com moderação. Na alimentação, optar pelas coisas de cor verde, e usar de preferência verduras cruas.

Por Dr. Fábio Pisanihttp://terapiafloralon-line.blogspot.com.br/2013/04/o-corpo-fala-e-o-figado-e-nosso.html


Lua Cheia em Câncer

Clique aqui para o texto original 

Traduzido às pressas, perdoe se a leitura for cansativa...







Quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Bom dia a todos,


Enfim chegamos a Lua Cheia pertencente ao ciclo de lunações de Capricórnio, o qual teve início no primeiro dia de janeiro. Um momento ainda intenso e rico em desafios de todos os tipos, mas especialmente a nível emocional, por agora se defrontar com a Lua em Câncer, sensível, emotiva, receptiva, frágil como uma criança; e um Sol em Capricórnio, duro, estável, frio, sólido, distante e sério. De início, recebi uma imagem de uma menininha tímida e um pouco medrosa, mas plena de imaginação (Câncer), enfrentando um adulto autoritário, sério, por vezes rígido e que não se deixa emocionar (Capricórnio). Eis aqui duas facetas de cada um de nós, que se encontram atualmente iluminadas, graças à Lua Cheia.


Isso ultrapassará os próximos dias, pois os planetas que acompanham o Sol (Plutão e Vênus estão retrógrados) e as energias que a Lua sensibiliza (Júpiter e Lua Negra) se incorporam em Capricórnio e em Câncer por um tempo mais duradouro do que a simples lunação atual. É a oposição de duas energias: essa facilmente nos toca por ser sensível, e que nos põe em movimento ao menor sopro (como a água da maré); e essa que é sólida, imutável por ser estável até a rigidez, e sobre a qual podemos apoiar nossos medos (como a rocha ou a montanha). Eis, portanto, uma oportunidade maravilhosa de observá-las mais de perto! Como geralmente utilizamos essas energias?


Podemos optar por um pouco de isolamento (escolha nesse caso assumida) e procurar o benefício de tirar um tempo de pausa e de introspecção (Capricórnio serve também para isso), a fim de nos reforçar e esclarecer o que pode estar frágil em nós, ou só porque nossa alma, nossa inspiração, nossa receptividade precisam de silêncio. Isso pode também ser devido a um desejo legítimo de focalizarmos em nós mesmos e nossas prioridades do momento. (A Lua Cheia em Câncer é o reflexo de tudo isso, acrescido por Júpiter em Câncer).


Podemos ainda ver igualmente como, ao contrário, às vezes nos metemos em situações de desestabilização (mas tentemos ver isso sem nos julgar por tanto!). A observação de nós mesmos tem um poderoso impacto de criatividade em nossa realidade. A teoria quântica destaca a afirmação de que a realidade não se torna “real” até que ela é vista por um observador. Sejamos, então, esse espectador e observemos que criamos a diferença a cada nova observação!


De maneira mais concreta, cada um de nós pode se reconhecer dentro desse eixo Câncer / Capricórnio, e geralmente porque nós o atribuímos uma experiência desagradável. Por exemplo, assim que acordamos, podemos ser tentados a retornar para a nossa “conchinha”, de permanecermos escondidos debaixo do cobertor, para não precisarmos confrontar com aquilo que nos aguarda, ou seja, as obrigações, os condicionamentos muito sérios de nossas vidas, nossas responsabilidades e aquilo que nos pressiona, muitas vezes com razão, como as provas difíceis de sobreviver. Escrevi “com razão” porque nesses momentos a maioria de nós mais dentro de um confinamento (Capricórnio) e da proteção (Câncer) e iremos enxergar aquilo que dentro de nós está bloqueado e dolorido, e sentiremos nossas dificuldades para lhes acolher conforme elas são vivenciadas subjetivamente.


Geralmente é uma necessidade que vem de nossa pressão interior, um tipo de conflito mental (e Mercúrio em Aquário nesse instante é um ótimo agitador), onde estamos atormentados por dilemas que nos parecem impossíveis de superar. De fato, como escolher entre aquilo que nossa alma deseja (Lua em Câncer), aquilo pelo o qual clama nosso corpo (Nódulo Sul em Touro), nossos próprios princípios e conceitos (Mercúrio em Aquário) e aquilo que a vida exterior nos pede (Sol em Capricórnio) e que nesses momentos atuais podem parecem causar restrições, obrigações e arrumações na casa: o trabalho, a utilização do tempo cotidiano, as condições familiares ou sociais (Plutão e Vênus em Capricórnio)?


A ambição exterior atualmente está caótica e a atmosfera é sempre elétrica, o estresse é perceptível para todos (Urano em Áries fazendo quadratura com Plutão em Capricórnio), e nos é solicitado que fiquemos estáveis, dentro de nossas seguranças interiores (Capricórnio) sem nos identificarmos emocionalmente (Lua, Júpiter e Lua Negra em Câncer) com aquilo que acontece lá fora, mas em nos recordarmos o que nos afeta no exterior é a resposta exata daquilo que nos importuna dentro de nossos próprios “dentros”. Essa quadratura de Urano e Plutão coloca em tensão dois setores bem pessoais (dentro de nosso mapa astral) e bem precisos de nossas vidas, dois departamentos e domínios da existência que lançam os desafios dentro desse longo período. Já pudemos perceber que esse aspecto coletivo que reflete a crise mundial, assim como as grandes transformações da Humanidade nos afeta a cada um, pois gera em nós perguntas incontornáveis e nos destitui do passado, de nossos casacos usados. Mas nós também interagimos sobre essa quadratura coletiva, cada um com seu próprio modo pessoal e exclusivo. Lembrem-se que nós todos somos os co-criadores desse todo e que o tempo todo somos responsáveis do que nos acontece.



Cada vez que cedermos mais voluntariamente à pressão e à impaciência “exterior” (Uranos em Áries) àquilo que somos mais ou menos permeáveis (Câncer, Escorpião e Peixes são sempre bastante), negligenciaremos nosso foco em nós mesmos, (Lua em Câncer e Júpiter em Câncer) sore nossas próprias prioridades e necessidades e seremos embarcados para o estresse. Ou até que pensemos bem (“preciso me focar” – nos diremos) nos enfiaremos ainda com mais força as obrigações que nos fazem sentirmo-nos culpados por não estamos “top” para aquilo que queremos fazer ou para satisfazermos a expectativa de outros. Encaremos os fatos, sempre encontraremos uma “boa alma” para nos causar um eco acerca de nossos próprios medos e nos dizer que nós realmente não somos nada, muito rígidos e frios (Sol em Capricórnio), ou ao contrário, muito sensíveis e chorões (Lua em Câncer), ou seja, de fato, alguém exatamente de acordo com aquilo que acreditamos ser! Gratidão a todos os belos espelhos que nos fazem ver uns aos outros. ♥



Às vezes não escutamos aquela voz interior (Lua em Câncer) que nos diz que estamos cansados ou tristes e que deveríamos cuidar de nós mesmos (a Lua sempre é o arquétipo de nossa mamãe interior, a parte de nós que reflete como víamos nossa mãe quando crianças) e tentamos ignorar para então cumprir, custe o que custar, o que os outros demandam (Sol em Capricórnio). O Sol é nossa energia vital, nosso pólo ativo. Obteremos, portanto, diante desse jogo de diferenças, medos que restam de nossa educação e condicionamento sociocultural: medos de não estar “à altura” e de não encontrar nosso lugar ou de perde-lo (Câncer), medos de deixar passar uma oportunidade de trabalho e de não satisfazer nossas ambições ou missões (Capricórnio), medo de nos encontrarmos em uma situação financeira ruim (Touro), medo do olhar dos outros, medo de não estar de acordo com aquilo que devíamos fazer (Mercúrio em Aquário é muito bom nesse instante, para nos dizer o que devemos fazer!!).

Observemos que geralmente ainda agimos em função daquilo que os outros dizem ou que possam pensar a nosso respeito (Capricórnio), seja em função de como nós julgamos o mundo devido à nossas susceptibilidades pessoais ou de lembranças recheadas de rancores (Câncer). Quanto a isso, não lhes trago nenhuma novidade especial, vocês podem ver por si, pois todos podemos viver isso e geralmente ainda escolhemos a opção de nos submetermos aos tumultos da vida exterior.

Mas Marte está em Libra (e por favor, paremos de repetir que Marte não está bem posicionado no signo de Libra, ele está e é perfeito assim!) e esse planeta intervém para mostrar-nos a que ponto não é justo agir assim: nos submeter a tudo o que aparece, com uma confiança desmensurada e olhos fechados. Existe, até mesmo nesse caso, um abandono de nosso poder pessoal para benefício dos outros e das circunstâncias (tudo o que nos remete aquilo que chamamos de “forçado”, “perseguido” ou ainda “fatal”). Essa maneira de inércia, confinada à resignação, é sancionada diretamente (pois ela não é iluminada pela consciência) por ásperos castigos de chicote, seja por nos estabilizar imediatamente sobre o plano emocional se somos hipersensíveis (Lua e Júpiter em Câncer); seja por gerar situações conflituosas no plano material: por exemplo, contratempos tais como doenças.

Marte em Libra nos oferece escolhas, está ai para temporizar, harmonizar e equilibrar esses energias contraditórias e opostas (meu espírito entusiasta anseia por dizer “complementares”, pois elas também o são). O segredo é justamente a metade, como sempre, mas ainda devemos compreender e enxergar onde estão nossos recursos: Marte em Libra é nosso guerrilheiro e quem decide interiormente o que fazer para se colocar ao serviço do equilíbrio, da paz e da beleza que existe dentro de todos os domínios de nossa vida; compreendendo isso irá reconciliar em nós a sensibilidade, a afeição e a doçura (Câncer) com a fortaleza, a seriedade e a solidez (Capricórnio).

Se quisermos que nossas relações sejam harmoniosas, então tomemos tempo para nos interiorizarmos (Sol em Capricórnio), para escutar primeiramente nossos desejos individuais de carinho e de consolação (Lua em Câncer), mas também nosso medo de proximidade demasiada significa uma invasão à nosso território íntimo e frágil (Lua Negra em Câncer). Pode ser igualmente bom observar e talvez re-verificar nosso modo de amar e nossos valores. É um momento para revisitar nossas maneiras antigas de sermos dentro de nossos relacionamentos e em que nos apegamos em termos de valores morais, financeiros, artísticos, e de observar quais são nossas atrações e repulsões, gostos diversos e variados aos quais nos apoiamos rigorosa e solidamente (Vênus em Capricórnio). Não é um período propício para adentrar novidades, se queremos que seja duradouro, como ter novas relações amorosas ou criar obras artísticas, mas um momento favorável ao retiro para fazer um balanço daquilo que já existe, afiná-lo e aprofunda-lo, o instante é ainda para a interioridade e isso pede paciência e tempo.

Se quisermos que nossa saúde melhore, então tomemos consciência daquilo em nossas vidas que nos fragiliza no plano emocional (Lua e Júpiter em Câncer), a fim de acolhê-los com benevolência, mas também observemos a força e densa solidez, o núcleo, de nossas estruturas (Capricórnio) que nos pertencem e como as utilizamos: será que nos criamos demasiadas restrições, de modo abusivamente autoritário, ao sermos severos conosco (Capricórnio) e em nome do quê fazemos isso? Ou será que sabemos por em xeque nossos velhos hábitos (Plutão em Capricórnio) e conectarmos com a sabedoria que existe em nós, que é inspirada por nossos sentidos e nosso inconsciente (Saturno em Escorpião)?

Para além desses desafios que ainda nos são difíceis, tentemos deixar que venha uma confiança e uma solução que seja justa para nós mesmos e para todos, pois não somos os únicos ou as únicas implicados dentro dessa experiência; nós interagimos com os outros (Marte em Libra nos mostra a permanente relação com o outro para preencher nossos deságios evolutivos) nas entranhas da vida, graças à interdependência de Netuno e Quíron em Peixes, os quais nos reconectam a nossa essência cósmica.

Temos necessidade dos outros e de seus pontos de vista e ideais, mas não é para nos submetermos nem nos conformarmos com isso (Libra tende a dizer ‘sim’ à tudo, a questão aqui é aprender a decidir em função daquilo que é bom para nós, pois Marte o demanda para fornecer o equilíbrio em tudo e para todos. Também é necessário que observemos ao nosso redor, os animais, a vida na natureza, a Terra, o Céu estrelado).

Às vezes também é necessário aprender a colocar um pouco as outras coisas de lado e esperar um pouco antes de ficarmos nervosos ou de nos forçarmos, pois o universo responde rapidamente à nossas aberturas de consciência. Quando a inquietude e a agitação nos adentram aquilo que está em volta fica embaçado e sofremos com nossas dúvidas. Quando nos retiramos do fluxo tumultuoso sem nos culpar por isso, para nos recarregarmos, escapamos da influência dessas injunções coletivas e dos “bons conselheiros”, influências às quais ainda somos muito permeáveis, e que se manifestam por palavras tais como “você é egoísta, pense um pouco nos outros, você devia fazer isso ou aquilo, como é que você pode se queixar de algo que não é tão grave assim”, etc. Ao nos retirarmos (e não, não é uma fuga, é tomar um momento de pausa, de refúgio, de cura) tiramos a culpa de todo esse processo de proteção e de repouso interior que nos permite encontrar em nós mesmos o amor, essa pequena chama que apenas sozinhos podemos captar dentro do silêncio e da solidão, ao nos tornarmos docilmente a nós mesmos, e que podemos notar através da respiração consciente. Isso talvez seja o amor incondicional.

E se o ambiente for sombrio, a negação não mudará os fatos, mas nos demorar na escuridão tampouco será útil; o mundo está em mutação, nós sabemos, e temos a chance de nos sentirmos alegres ao ver que o caos se amplia dentro de todos os domínios da existência, pois assim nos aproximamos cada vez mais da renascença que daí brotará.

Numa manhã recente recebi a carta de Bianca Gaïa, a qual assino o boletim, e ela me inspirou bastante a sair de minha própria concha, acredito que vocês são capazes de discernir aquilo que pode ou não ser-lhes útil a partir de minha mensagem. Vocês podem ler no site dela a canalização intitulada “2014: A Aliança Sagrada” [2014: L’alliance Sacrée].

Todos nós, como uma Humanidade, caminhamos simbolicamente em direção a luz dentro de um momento de erros e escuridão espiritual, mas também de insegurança afetiva, material, com mais ou menos compaixão por outros dentre nós, de fato com um sentimento de fatalidade que nos parece por vezes incontornável. Verifiquemos e nos certifiquemos como somos exaustos de tantos esforços, pois todos fizemos bastante para chegar aqui, mas agora descansemos um pouco e observemos que de fato sempre tivemos que escolher.

É isso que é nossa força: a escolha, a liberdade, o livre arbítrio de abraçar ou não a única responsabilidade que temos: iluminar nossa vida, acolher e depois deixar que partam nossos medos que passarão, confiar no desenrolar natural do curso das coisas, aceitar aquilo que vem ao nosso caminho sem julgar nem resistir (isso é, nos amar, nada complicado demais). Nós não temos nada mais a fazer que seja para os outros ou em função dos outros. Ao iluminarmos nossa própria presença e nossa sabedoria sobre o caminho que nos pertence, iluminaremos, de cada vez mais perto, o caminho dos outros. É somente por nossas atitudes que participaremos do processo, é através de nossa alegria e nossa felicidade. Eis aqui a nova forma de altruísmo: oferecer aos outros nossa própria felicidade e observar os outros com gratidão, pois todos são sempre reflexos de nós mesmos.

Desejo-lhes um lindo dia de Lua Cheia nessa quinta-feira, um dia repleto de estabilidade e uma névoa dócil de carinho, que nos envolve a todos...



Michka


Lua Cheia em 17/01/14, por volta das 6 da manhã, a partir de meu quarto em SP