O ônibus corria e chacoalhava, o vento adentrava, início de tarde ensolarada em mais um sábado de férias. Eu estava lá atrás, naquele banco do meio, que chacoalha mais. Meus vizinhos da esquerda consistiam em um garoto de não mais que dez anos no assento da janela, e uma jovem moça, que pelo diálogo descobri ser sua mãe:
- Mamãe, aquilo ali são as casas dos mortos?
- É... é o cemitério...
- Nossa, nunca vi tanta gente morta na minha vida...
(Sem respostas ou comentários, prossegue:)
- Como é que vou saber quando vou morrer também?
- Não fica falando dessas coisas, filho...
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