Peguei o livrinho, capa dura, uma silhueta de árvore, toda branca, cobrindo toda a fronte. Abri. Desenhos bonitos em nanquim, de cenas não bonitas, como um peixe nadando perto de uma latinha ou um pássaro pousado em cima de um machado fincado num tronco desmatado.
Comprei o tesouro e devorei suas cinquenta páginas no tempo que passei dentro do ônibus. Se trata de uma carta, que o autor escreveu em 1985 para seus dois filhos, então adolescentes, alertando-os acerca das depravações humanas para com a natureza e a necessidade iminente de fazer algo contra isso e a favor da vida.
Bom, quase duas décadas depois os impasses persistem, mas que a esperança de uma reviravolta não morra!
Copio aqui um trechinho, que achei bonito e interessante:
"As árvores, meus meninos, desde o início do mundo tiveram o mais importante dos sentidos: o de representar a vida. Alguns povos da Antiguidade escolhiam algumas espécies, tornando-as sagradas. Como o carvalho para os celtas, a figueira para os indianos, a tília para os alemães. Associações entre deuses e árvores são frequentes na mitologia: Júpiter e o carvalho, Osíris e o cedro, para citar somente dois. A árvore, segundo Cirlot, especialista em simbologia, significa a vida inexaurível e
engloba os processos generativo e regenerativo, sendo portanto o espelho da imortalidade. A árvore é o eixo do mundo, ela faz ligação (raízes) entre o negror das trevas do caos profundo e a luz (galhos e folhas para cima), o céu."
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